Uma Crônica Sombria A História De Arcrest

Essa história começa muito antes do Retorno da Senhora das Sombras, antes mesmo de os deuses serem expulsos; essa história começa no laboratório malévolo do próprio Arfnech. Mas isso foi antes de Ele se tornar um ser maligno. Isso ocorreu nos primórdios dos anos em que os deuses Arfnech e Ermaras foram criados. Naquele tempo, Arfnech faria qualquer coisa para trazer seu Criador de volta, para conhecê-lo, aprender com ele todos os segredos até então sabidos sobre os Fios do Éter. Depois de anos de experiências mal sucedidas, muitas vezes com péssimos resultados, aquele que seria depois conhecido como Deus da Magia Negra, com o auxílio da Deusa das Sombras, Asnüminë, criou um ser. Esse ser não poderia ser caracterizado como vivo de forma alguma, ele era a encarnação do mal, não o primeiro ser maligno, mas um dos mais poderosos. Ele era praticamente feito de pura sombra, ligada a uma alma do Salão das Almas (conhecido, depois, como Limbo) e materializada através dos mais vis meios mágicos. Esse ser tinha mente, uma mente sedenta por energia, energia vital que só poderia ser extraída das criaturas vivas. Devido a falta de um metabolismo biológico, o próprio Arfnech batizou aquela criatura de Morto-Vivo. A primeira palavra proferida por aquela criatura profana foi “Kerär”, como essa palavra não poderia ser traduzida para nenhuma língua existente até então, essa palavra se tornou o nome da criatura. A criação desta criou tamanha distorção e corrupção nos Fios que todos aqueles que tinham um mínimo de entendimento das coisas ao seu redor pode sentir tamanha alteração. Muitos sentiram. Ermaras, irmã de Arfnech, também sentiu. O mundo tremeu tamanha a raiva sentida pela Deusa da Magia. Nunca na história de Faralchar ouviu-se de tamanha fúria; nem mesmo o mais destrutivo surto de ódio de Valmer pode ser comparado à Fúria de Ermaras. Kerär não chegou a durar nem um dia, horas depois de sua criação, Ermaras descobriu seu paradeiro e cuidou pessoalmente de sua destruição. Mas, pela intervenção de Arfnech, a alma corrupta de Kerär não foi destruída. Na verdade, a proteção da alma de sua criação, foi tudo o que Arfnech pode fazer ante a Fúria da Deusa da Magia. A alma de Kerär vagou pelo Limbo e suas mediações por milênios, perdido no tempo e no espaço. Mas, infelizmente para o povo livre de Faralchar, Kerär recebeu um chamado; um chamado da Senhora das Sombras com a proposta de liderar seus exércitos…

Seria audácia dizer que Arcrest nasceu, mas seria totalmente justo dizer que ele foi criado. Desde o encontro de seus pais até o parto, tudo fora planejado pela Senhora das Sombras. E àquela criança fora ligado o espírito Kerär. O menino fora arrancado dos pais logo depois de seu nascimento, Arcrest nem chegou a repousar no colo de sua mãe. A história dos pais dele, cujos nomes não são lembrados, acaba aí; dizem que eles ficaram indignados com o seqüestro do filho e se uniram aos Renegados, o que, posteriormente teria causado sua morte; mas tudo a esse respeito é apenas especulação. O menino Arcrest recebeu educação especial desde muito cedo; ele teve uma infância sofrida para qualquer outra criança fora de Tenebra, ele não soube o que é brincar. Ele passava seus dias estudando e treinando suas artes. A ele foram ensinados muitos dos truques de estratégia, conhecimento e magia daquele tempo. E Arcrest era um bom aluno, extremamente aplicado e respeitoso com seus tutores.

Mas o que não estava nos planos de Asnüminë acabou acontecendo: um estranho tutor começou a dar aulas secretamente ao garoto. Ele ensinou a Arcrest as histórias das culturas e dos povos de fora de Tenebra; no entanto, ele ensinou do ponto de vista de cada cultura. Ensinou a cultura dos humanos como se fosse contada por um sábio, ensinou a cultura dos elfos como se fosse contada por um mago, ensinou a cultura dos anões como se fosse contada por um sacerdote , ensinou a cultura dos orcs como se fosse contada por um shamã e assim por diante. O nome desse professor não foi encontrado em lugar algum, suas aulas só foram canceladas depois que Arcrest já tivera aprendido muito do que aquele velho poderia ensinar. Ninguém sabe se o homem era algum inimigo da Sombra ou somente um professor louco, mas é importante frisar que aquelas aulas foram cruciais para as decisões de Arcrest e até para o destino de Faralchar.
O treinamento de Arcrest era extremamente árduo, ele combatia dois, três, até quatro oponentes de uma vez e, se perdesse, era castigado com chicote e encantamentos eram proferidos para que ele não fosse capaz de curar-se. Logo depois, vinha outra seção de treinamento com armas. E assim se seguia, mas Arcrest estava ciente de sua importância nos planos da Deusa. Ele lutava bravamente, por mais ferido que estivesse. Quando Arcrest terminou a parte inicial de seu treinamento, quando ele tinha por volta de 50 anos, Asnüminë infundiu seu sangue nas veias do jovem garoto. Assim começou a segunda parte de seu treinamento que durou mais 150 anos. Arcrest, como todo Genasi, não envelheceu nada fisicamente, mas seu conhecimento acabou se tornando imenso em todos os ramos que possam se pensar. Depois de 200 anos, Arcrest implorou a Asnüminë descanso e ela concedeu um ano para que Arcrest se prepara-se para a jornada que viria a encarar adiante. E esse um ano foi crucial para o desenvolvimento psicológico de Arcrest, pois ele foi solto por Tenebra e ninguém o seguiu. Esse foi mais um erro da Senhora das Sombras.

Nesse um ano, muitas coisas aconteceram. Arcrest escondeu sua identidade e saiu a vagar por Tenebra. De cidade em cidade, Arcrest aprendia mais sobre o seu povo, agora na prática. Foi na capital de Tenebra, Namurië, que Arcrest presenciou um roubo; estranhamente interessado, ele seguiu o ladrão. Este estava encapuzado, mas parecia que via muito bem, pois não demorou para perceber que estava sendo seguido. Em um beco, ele virou repentinamente com uma adaga empunhada. Arcrest estava ali, parado no início do beco. Com movimentos suaves e rápidos, o ladrão investiu sobre o clérigo; então, entrou em ação o treinamento de Arcrest: com outra adaga, ele desviou o golpe do ladrão e o desarmou. O ladrão ficou imobilizado de surpresa. Isso deu brecha para que Arcrest se inclinasse e rapidamente removesse o capuz e o clérigo compartilhou da surpresa do ladrão, ou melhor dizendo, ladra. Esta que era linda como a noite e tinha a pele macia como ceda. Os dois ficaram ali se entreolhando por vários minutos que para eles passaram rápido como segundos. Dias depois eles se uniram, meses depois nasceu o fruto do amor dos dois: uma menina, linda como a mãe, esperta como o pai e a ela foi dado o nome de Imírië. Então os planos de Asnüminë se complicaram, pois a Arcrest não era permitido ter sentimentos, mas ele amava sua esposa e amava mais ainda sua filha.

Esse ano tendo se passado, Arcrest voltou a seus afazeres. Ele, e sua família, foram para o continente do Fogo, Hyralfen, com o intuito de conseguir a ajuda de Arfnech e seus servos. Eles tomaram o lugar de uma família de camponeses para que se ambientasse melhor com a cidade, a família de camponeses não foi morta, então, para que ninguém desconfiasse caso ele saísse de lá as pressas. Em uma de suas previsões mágicas, Asnüminë lhe disse: “Cuidado, meu filho, pois o Servo da Luz virá a você.” Ao contrário do que se poderia imaginar, Arcrest achou isso muito oportuno. Arcrest arquitetou um plano muito bom então, ele roubou um livro da Torre de Ermaras de Ólien que mostrava o paradeiro de um dos templos do Deus da Magia Negra. Mas algo inexperado ocorreu logo após o roubo, sua filha saíra para passear e não voltou por algumas horas; mas antes que Arcrest viesse a se preocupar, o tal servo da luz veio até ele. Arcrest quase riu, ele percebeu que a luz estava naquele jovem de nome Victor, mas parecia que nem o clérigo de Tullï sabia de seu poder oculto. Arcrest seguiu com o plano: deixou que seus passos fossem rastreados até o templo negro e assim, o servo da luz o seguiu, e também seus companheiros. Arcrest levou consigo a mãe daquela família que tinha tomado o lugar, depois ele perceberia que isso fora um erro. No templo, os aventureiros inexperientes quase que sucumbiram totalmente aos mortos-vivos, Arcrest apenas terminou o serviço, tomando o cuidado de pegar partes dos corpos pois poderiam ser úteis futuramente; isso porque ele queria uma desculpa para convencer o Guardião do Templo. Os aventureiros conseguiram superar o morte e a prisão no interior do templo graças, devidamente, aos poderes recém-despertados de Victor; e isso foi o suficiente para que Arfnech oferecesse alguma ajuda a Deusa das Sombras. Com o plano concluído, seguia a próxima parte de sua tarefa nas terras claras: evocar a ajuda de drows que viviam nas montanhas ao sul do templo em que estava. E assim foi feito. Mas no esconderijo dos drows, um humano austero e imponente o ameaçou; aquele era o marido da mulher seqüestrada anteriormente. Arcrest viu o poder do homem e simplesmente entregou a mulher, ela não valia uma batalha que provavelmente causaria mortes, provavelmente a do próprio Arcrest, pois seus poderes não estavam no auge.

Com a ajuda de Arfnech conquistada e com os drows recrutados, Arcrest deveria voltar para Tenebra, mas para sua surpresa, nem tanta na verdade, os aventureiros o seguiram até onde ele deveria embarcar. Tentaram impedí-lo, mas não foram capazes. Ele os aprisionou e os levou para Tenebra para que se tornassem escravos. Mas não parecia que os deuses estavam muito contentes com isso, pois o próprio Deus dos Oceanos interferiu na viagem, matando boa parte da tripulação meio-sombra e drow, incluindo a esposa de Arcrest. A morte de sua esposa, foi um baque para o general de Asnüminë; esta que impediu que a alma da pobre mulher retornasse por mais poderosamente que Arcrest tentasse trazê-la de volta. E o desaparecimento de sua filha fez com que ele se dedicasse inteiramente a sua procura. Arcrest fez, então, um ritual que exigiu o sacrifício de dez pessoas inocentes (escravos) para encontrá-la e uma nova surpresa: os aventureiros estavam vivos e levavam consigo sua filha. Arcrest mandou mensageiro com uma oferta de resgate, mas um membro dos aventureiros se separou deles, levando consigo Imírië e a trocou por uma saída da Ilha Maldita. Imírië, então, se tornou a última coisa com que Arcrest realmente se importava, sua única ligação com o que os humanos chamam de bondade, seu ponto fraco.

Mas era hora de ser colocado em prática, o plano principal. Arcrest sabia que a maneira mais fácil de libertar Asnüminë era tomar para si a Grande Espada Lainen. Com ela, Arcrest poderia quebrar o encantamento proferido por Archond que prendia a Senhora das Sombras em Tenebra. Lainen se encontrava em Crionashtur, o Continente do Gelo, mais especificamente na Torre do Gelo Eterno. Nessa jornada, Arcrest teria que provar sua capacidade de liderança; ele levaria uma parte do exército das Sombras, para recuperar a espada. Assim foi feito. Arcrest enfrentou novamente as tempestades do Deus dos Oceanos, mas desta vez, Arcrest mostrou-se extremamente preparado, não perdendo nem um homem, ou sequer um navio foi danificado (a viagem até o Continente Gelado foi feita por mar). Isso ele obteve encarando pessoalmente os enviados do Deus dos Oceanos. O Mar de Tenebra enegreceu e se tornou ácido para as criaturas do mar devido ao poderoso poder do encantamento que Arcrest havia criado e usado para tal fim. Tendo sucesso total em seu primeiro desafio, Arcrest e sua tropa atravessaram o Oceano Leste confiantes. Mas algo tirou um pouco do sono do General de Asnüminë: Theros e seus companheiros também estavam a procura de Lainen. “Maldita seja a Deusa do Destino”, foi a primeira reação de Arcrest. Ele estava começando a se preocupar com aqueles aventureiros, afinal, além de sobreviverem à estada em Tenebra , eles haviam descoberto o próximo passo da Deusa das Sombras. E mais, ele também previra a intervenção de alguém muito poderoso no seu caminho e a favor dos Inimigos da Sombra.
Arcrest invocou o poder dos ventos para que eles chegassem mais cedo no Continente Gelado. Lá aportando em um pequeno porto que teve sua população rechaçada facilmente, Arcrest reuniu um pequeno grupo, que a partir de então se tornariam seus ajudantes pessoais, para ir até a Torre do Gelo Eterno:Alkerth, um assassino competente e mestre nas artes das sombras; Emenon, um Mestre da Mão Invisível, mestre dos segredos arcanos e muito eficiente em seu poder telecinético; e Ymeth, um algoz sombrio, mestre no combate com espadas; todos foram treinados junto com Arcrest e, se o treinamento não suprimisse qualquer sinal de sentimentos, eles poderiam ser chamados de amigos. Foram então para a tal torre. Lá chegando, vários desafios foram a eles propostos: Finúriel estava pronta para tudo, exceto para as artes negras de Ymeth; Nohr era um ótimo combatente e estrategista, mas foi subjugado pelas artes de furtividade e envenenamento de Alkerth; Ycarus fora surpreendido pela pólvora, uma arte alquímica desenvolvida pelos antepassados de Emenon. Finalmente eles adentraram a câmara onde era guardada Lainen, a Matadora de Sombras. Arcrest conseguiu superar o ar gélido do caminho com o auxílio das proteções de Asnüminë, mas ao tocar a verdadeira espada (já que a mostrada a primeira vista era uma farsa), Arcrest percebera que ela realmente era a Matadora de Sombras: o general sombrio não pode sustentar a espada por muito tempo e teve que colocá-la de volta a seu lugar. Como os poderes de Emenon não funcionavam no salão onde Arcrest encontrara a espada, uma nova estratégia deveria ser arquitetada. Arcrest decidiu, então, deixar que os Inimigos das Sombras tirassem a arma daquela torre, para que somente depois ele pudesse tomá-la por bem ou por mal. Eles deixaram a torre, mas foi ordenado a Emenon para que ficasse e tentasse tomar a espada dos aventureiros antes que saíssem da torre. Fora da torre, Arcrest recebera uma mensagem psíquica: “Venha para o vilarejo de Rinfark, preciso ter com você sobre a sua jornada sombria”. Talvez fosse essa a intervenção que Arcrest previra anteriormente, então decidiu ir sozinho até a tal cidade. Mas antes ordenou que parte de suas tropas acampassem perto da Torre e forçasse os aventureiros contra a costa para que fossem facilmente mortos ou coagidos para entregarem a espada.

No vilarejo de Rinfark, Arcrest encontra com aquele que lhe enviara a mensagem: Enyus, o Errante. Arcrest riria se aquela não fosse uma situação séria. Mas o Errante não queria o mal a Arcrest, o que foi muito estranho, mas ele tentou convencer Arcrest que sua jornada era infundada, que ele acabaria sendo traído assim como Archond o foi. Essas palavras soaram como piadas de parvos na mente de Arcrest. Ele ignorou tudo do que o Errante lhe falara. E, para aumentar a situação cômica, os aventureiros adentram a cidade e o salão justamente quando Enyus tentava convencer o General Sombrio a deixá-los em paz. Aquilo já parecia palhaçada demais. Arcrest simplesmente saiu, encontrando o sanguinário Slifer fora da taverna, este que, mesmo armado, mal conseguiu encará-lo nos olhos.

Arcrest continuou com sua estratégia. Ele esperou que os aventureiros pegassem a espada. Por motivos desconhecidos, os truques psíquicos de Emenon não afetaram Slifer, que pegou a espada. Depois disso, eles foram empurrados até a costa. Foi nesse ponto que as coisas começaram a dar errado: na costa, estava Hakon, o Punho Sangrento, pai de Hemmet, o pirata que andava com o grupo de Theros, estava lá e ajudou seu filho juntamente com seus companheiros na fuga. E pior, eles rumaram para o sul, onde estavam ancorados os navios de Arcrest (praticamente sem tripulação) e destruíram os navios. Felizmente, Arcrest pôde teleportar a si mesmo e seus aliados para o lugar do combate. Arcrest subjugou os aventureiros facilmente, mas o Errante interferiu e não deixou que ele tomasse a espada. E, por isso, ele ia pagar.

O General Sombrio deu a ordem para que a suposta esposa do Errante fosse morta. Arcrest contratou Alexis Isstra para o trabalho por seu renomado método extremamente eficiente. A morte da tal Garnet fez com que o Errante fosse levado a loucura, ele sucumbiu ao poder do Avatar de Ars. No final, a perda da espada não fora de todo erro, o que fez Arcrest sofrer uma punição diferente da morte. Mas para ele, a punição que lhe estava guardada era muito pior que a morte em si.
Arcrest não tinha mais navios para levar suas tropas de volta para Tenebra, então a solução mais furtiva e viável foi abrir um portal para o Plano das Sombras. No entanto, a fúria de Asnüminë transformou o plano num inferno de desastres naturais. Na jornada de Arcrest até o Ishtëk, mais homens foram perdidos que no ataque aos navios de anteriormente. E ao estar perante o Imperador, Arcrest apenas descobriu que sua punição estava apenas começando. A todos os homens de Arcrest e a ele mesmo, foram ordenadas a punição de uma chibatada por homem que havia sido morto. Muitos mais fracos pereceram nesse estágio, mas Arcrest aceitou sua punição e ainda agradeceu pela misericórdia da Senhora das Sombras. Mas não era só isso, Arcrest deveria se aventurar pelo Limbo, o Salão das Almas, até encontrar uma nova maneira de libertar Asnüminë. Assim, ele foi ao Limbo e adentrou o Plano das Mil Portas. Por meses ele vagou sem qualquer indício de encontrar uma porta que levasse à informação procurada. Foi então que ele se deparou com um espírito, mas tamanho poder emanava dele que Arcrest enrijeceu todos os seus músculos e ficou imobilizado pela aura de sabedoria daquele ser. Aquele era o Guardião do Plano do Destino, o Filho de Lárin. Por minutos, os dois ficaram parados se encarando. O Guardião viu que a Força de Vontade daquele homem vinha de algo mais do que ele mesmo, algo muito antigo, o Guardião viu Kerär. Vendo que Arcrest só sairia dali com a informação que precisava ou com sua essência destruída, o Guardião pediu aconselhamento à própria Lárin. Esta respondeu para que ele não machucasse o General Sombrio. Então, o Guardião do Destino levou Arcrest até a Biblioteca dos Segredos e deu a ele o livro em que estava escrita sua história: seu passado, seu presente e seu futuro. Arcrest não gostou do que leu, mas resolveu seguir o que estava escrito ali para seus próximos passos.

Arcrest deveria rumar, então, para um reino chamado Fardün. Lá, ele deveria fazer um acordo com um nobre local que tinha a chave para abrir um Portal para o Abismo, o plano de Ars. No entanto, algumas coisas deram errado, o nobre acabou descumprindo seu contrato. Sendo assim, o Sacerdote das Sombras o executou, assim como todos os seus homens. O nobre, no entanto, era irmão de um homem chamado Cristopher Arken, um paladino renegado de sua família vil. E a fúria de Asnüminë aumentou ainda mais.

Para abrandar o sentimento destrutivo da Senhora das Sombras, Arcrest levou meses planejando seu próximo passo: deveria buscar o Coração de Tullï, um poderoso artefato que poderia dar a quase imortalidade ao seu portador. Mas Arcrest não estava planejando se tornar virtualmente imortal, alguém em posse do Coração poderia suportar a Possessão de um Deus. Mas o livro da Biblioteca da Dama do Destino não era muito claro sobre como Arcrest conseguiria tal artefato, mas uma coisa era bem clara: nenhum ser poderia retirar o Coração de Tullï com intenções vis em sua alma. Portanto, alguém deveria tirar o artefato de lá.

Sendo assim, o General Sombrio foi aconselhar-se com uma das criaturas mais poderosas de Faralchar: um drow insano com o dom da vidência que morava no Reino de Allagund e era conhecido apenas como Oráculo. Este aconselhou Arcrest a usar a faca que o cortava para cortar a maçã. Estas palavras foram facilmente entendidas: o que o Lorde Sombrio deveria fazer era simplesmente esperar que os aventureiros que buscavam seu fracasso até agora descobrisse seus planos e tentassem pegar o coração; se eles falhassem, era um problema a menos para se preocupar; se tivessem sucesso, seria fácil tomar o artefato deles. Ainda no covil do drow, uma surpresa: três dos aventureiros estavam lá tentando um prisioneiro do drow, um Genasi de Asnüminë que tinha traído sua senhora. Mas se Arcrest os matassem ali, suas chances de colocar as mãos no Coração diminuiriam, então o General Sombrio simplesmente os deixou partir.

Assim como fora premeditado, os aventureiros foram até o Reino de Fardël e tiraram o Coração de Tullï do Carvalho Mestre. E Arcrest tirou o artefato deles facilmente, como fora previsto. Agora era só uma questão de tempo até que a Senhora das Sombras fosse libertada de seu exílio de quase 2000 anos.

Mas Asnüminë ainda não ficara satisfeita com a punição de seu servo e decidiu castigá-lo uma vez mais. Porém, a Senhora das Sombras, não fora sábia o suficiente para prever as conseqüências de seu mais maligno e traiçoeiro ato. Ela poderia escolher qualquer um de seus servos para tomar o corpo e sair de Tenebra, mas ela decidiu obrigar a filha de Arcrest, Imírië, a ser seu receptáculo. Este fato trouxe à Arcrest a memória do que estava escrito no seu destino: ele estava predestinado a perder parte de sua fé em sua Deusa. O ato da Senhora das Sombras, foi a alavanca principal para o cumprimento desse destino. Mas Arcrest estava disposto a mudar o que estava escrito naquele livro por ele amaldiçoado. Afinal, todo aquele sofrimento, a perda de sua esposa e agora de sua filha, deveria ter um propósito em sua vida. Aquilo tudo não poderia ser em vão. Não era tempo de repensar seus dogmas. Não era hora de desistir. E assim Arcrest continuou sua fé cega na causa da Senhora das Sombras.

O que veio depois foi simplesmente preparativos para a guerra. E Arcrest estava cada vez menos descontente com as decisões de Asnüminë. Ela insistiu em atacar o Reino Branco, mesmo Arcrest dizendo que isso poderia unir mais seus inimigos. E foi exatamente isso que ocorreu. Ninguém pode dizer que o destino do mundo mudaria, mas a história poderia ser bem diferente se a Senhora das Sombras atacasse os outros continentes primeiro. No entanto, Asnüminë estava cega em sua arrogância, cega para a sabedoria.

A guerra, então, começou. Dessa parte, todos os que estão lendo esses escritos sabem o que ocorreu: o Exército Sombrio conseguia uma vitória esmagadora até que os aliados de Fardon conseguiram virar o jogo.

Asnüminë sabia que se Imírië tivesse o Coração de Tullï tirado de si, as coisas iriam complicar para seu lado. Então ela criou uma espécie de porto seguro dentro de seu ser, para proteger a garota de qualquer ataque externo. Sendo assim, ela escolheu o lugar que mais lhe parecia seguro no plano material: sua fortaleza. Arcrest seria incumbido de tomar conta das tropas que estariam reunidas ali dentro e de evitar, com a própria vida se fosse necessário, que qualquer um que seja pudesse encontrar a garota.

Foi durante os dias em que Arcrest estava organizando as tropas no Forte Asnüminë que ele passou pelo maior dilema de sua vida: deveria ele deixar brechas para que sua filha pudesse ser salva ou deveria ele tornara aquele lugar algo impenetrável? Ele decidiu tentar concluir seus planos. Então, ele fez com que a fortaleza fosse, sim, transponível para que os aventureiros (porque o Lorde Sombrio sabia que seriam eles os enviados) pudesse topar com ele cara a cara para que o impasse fosse decidido por eles. Mas, se por acaso Arcrest perdesse, ele planejou um ritual para que sua filha fosse salva pelos seus juízes.

Assim terminou a vida poderosa e trágica de Arcrest Kivendran (seu verdadeiro sobrenome que nunca lhe foi revelado). Os aventureiros acabaram por subjugá-lo e salvar sua filha. Sua alma foi condenada pela própria Asnüminë a ser jogada no Abismo das Trevas, mas a força de vontade de sua essência era tão poderosa que desse destino se salvou por si mesma. E assim termina lenda do General Sombrio.

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