62 – Reino Unido da Chama Central

Reino localizado na porção centro-oeste do continente de Faralchar, característico por seu regime de governo (democrático-parlamentar) e suas prósperas rotas de comércio com as regiões próximas. Fruto das diásporas e excursões para o centro do continente, sua relativa distância com relação ao litoral impediu por grande tempo seu desenvolvimento econômico-social, o que se reverteu apenas com o estabelecimento da agricultura de exportação e a indústria. Tem grande importância por suas atividades e relações comerciais, bem como pela sua armada terrestre, fundamental para a concretização do período expansionista de sua história.

História

Os registros históricos dos primeiros núcleos de habitantes do reino são escassos. Proveniente das regiões litorâneas sabe-se que pequenos grupos rumaram para as regiões centrais desde os primórdios de Faralchar, movidos por intempéries climáticas e, principalmente, disputas de território com colônias próximas. Acredita-se que o grande rio Contra, assim batizado em decorrência de seu curso (no sentido inverso do usual, afastando-se do litoral), tenha permitido o estabelecimento dos primeiros agrupamentos e famílias da região. Mesmo com a terra pouco fértil e o clima seco e quente, ainda mais do que no litoral, as margens do rio e um sistema de irrigação em desenvolvimento permitiram a fixação de uma agricultura de subsistência, bem como a formação dos primeiros núcleos patriarcais na região, todos localizados às bordas do rio.
As constantes guerras e disputas por terra culminaram, tempos depois, no estabelecimento de alguns poucos focos de poder, legitimados pelas batalhas vencidas e pela posse dos suprimentos excedentes. Com a paulatina evolução econômica e social da região, proveniente de novas técnicas e do contato com territórios próximos, os antigos núcleos patriarcais se transpuseram em terrenos mais amplos, abrangendo boa parte do que hoje se conhece por Reino da Chama Central. No mesmo sentido contribuiu o desenvolvimento dos primeiros corpos clericais, inspirados por deuses como Tullï e Askardin, pois permitiram o uso do divino por parte do poder recém-estabelecido, e ainda constantemente questionado. O poder do patriarca, que acompanhou a evolução política da região em todos os seus aspectos, culminou com a formação de uma pequena classe de favorecidos, servos diretos do rei e por ele protegidos socialmente. A nobreza, com seus privilégios de sangue e suas regalias de poder, permitiu por um tempo expressivo a manutenção da produção agrícola e seus excedentes (cobrados por impostos), a partir de um sistema servil, com repartições de terra delimitadas pelo rei.
É do auge desse período, conhecido na historiografia como o "tempo dos servos", que a chamada cultura de mecenato ganhou grande expressão. Os superávits decorrentes de uma produção ascendente, comercializada a partir de um pólo central (muito bem localizado para tanto), permitiram a formação da arte paga e encomendada pela nobreza. Pintura, escultura, música, teatro: de valores vários, obras de grandes gênios se produziram durante esses anos de ouro. A "Grande Espada", estátua de proporções gigantescas erigida no centro da atual capital do reino, representa hoje a importante expressão cultural dessa época - o monumento, de contornos quase reais, representa o deus da guerra, Askardin, e uma grande espada bastarda empunhada. Essa é uma das provas da vocação, desde o princípio, cosmopolita do reino, convivente com diversas culturas e credos desde sua formação.
Paralelo ao desenvolvimento cultural, a formação militar prosperou de forma muito expressiva nesse período. Inicialmente justificada pela proteção do reino e sua "pacificação" social, a armada do reino, também beneficiada pelas grandes ascensões econômicas, se consolidou com o passar das épocas em uma das de maior destaque em todo o território de Faralchar. O poderio de guerra conquistado possibilitou ao reino a anexação de territórios próximos e a fixação de novos focos de produção, de maneira a elevar o arrecadamento em impostos e consolidar, ainda mais, o poderio político do antigo patriarcado e sua formada nobreza. Os contornos atuais do Reino, porém, ainda estavam longe de se formarem: predominava a instabilidade das fronteiras e pequenos focos de conflito com os núcleos de aldeões subordinados à servidão, e, conforme o caso, a regimes escravocratas típicos.
O grande fato político e histórico do reino, entretanto, decorreria da saturação de todo esse período dourado do patriarcado-absolutista. A expansão produtiva do reino e suas relações externas em ascensão deram origem a especialistas em escambo e intercâmbio de moedas, que prosperavam com as rotas de comércio e a sobrevaloração de bens escassos em outras regiões. Com a expressiva importância que adquiriram, entretanto, não demorariam a questionar o poder tradicional e religioso estabelecido nos tempos antigos. Em uma das profundas crises de produção a atingirem o território real, fruto de intempéries climáticas, determinou-se pelo poder central grandes aumentos nas taxas cobradas e a centralização absoluta das relações comerciais em mãos do rei, com vistas à manutenção dos valores repassados à casta hereditária. Sucessões de políticas nesse sentido, restritivas de lucros, deram origem ao que se convencionou chamar, historicamente, de "Revolução Orquestrada": um grande levante de servos, instigados por essa nova classe ascendente, contra o poder estabelecido.
Verdadeiros massacres se sucederam para que se garantisse, por fim, o estabelecimento de um novo poder no reino, lastreado nos interesses da classe mercantil, então dominante do poder econômico. Referem-se hoje os habitantes do Reino, ao falarem do período revolucionário, ao "Mês de Sangue", em que as tropas do reino, em ação preventiva, exterminaram aldeias inteiras nos focos rebeldes e proximidades. De qualquer forma, mesmo com toda a repressão armada bem estabelecida, a instabilidade econômica e social vigentes não fez sustentar o patriarcado e sua nobreza. Medidas concessivas, fruto de negociações diretas com os principais expoentes político-econômicos do reino, permitiram câmaras de veto para os chamados "liberais", como ficaram então conhecidos, entre outras sucessivas aberturas políticas. Por fim, o poder central hereditário foi revertido para um eletivo, representado por um colégio de comerciantes de poder econômico expressivo. Dava-se início, enfim, ao parlamento.
Desde então, um sistema político parcialmente democrático é vigente no Reino, consubstanciado pelo parlamento e seu sistema eletivo colegiado. A servidão é mantida nas regiões mais afastadas do reino, legalizada junto da escravidão. No centro, em que a atividade econômica prepondera sobre a produção, predomina o trabalho assalariado, assim como o autônomo, este sob a concessão expressa do parlamento.

Política

O Parlamento é o responsável pela edição das leis, escritas em sua maioria, e pela manutenção da armada real. Um corpo de três presidentes eleitos dentre os parlamentares, de cinco em cinco anos, é responsável por fazer garantir as leis editadas, executando-as em políticas para o reino (construções, metas de produção, limitações da atividade mercantil etc). O mesmo organismo presidencial tem o poder de delegar o julgamento das leis nas diversas contendas, sendo requisito dos juízes a serem investidos desse poder a "probidade moral e a retidão de caráter" (Compêndio Inicial, parágrafo quarto). É usual que clérigos da justiça sejam escolhidos para o exercício dessa tarefa, mas ao que nem sempre acedem, pois as leis do reino não coincidem, por si, com o ideal de justiça perseguido pelos servos de Hurst.
Há também um segundo conselho, composto pelos comerciantes de menor poder aquisitivo, conquistado como concessão política em face do parlamento. É o chamado "Conselho Baixo", constituído por sessenta representantes, eleitos por qualquer cidadão livre do reino em assembléia, também de cinco em cinco anos. Entretanto, tal corpo político é exclusivamente consultivo, representando tão somente um órgão de pressão política por parte dos comerciantes.

Lei

As leis, editadas pelo Parlamento, apresentam poucas restrições ao comércio. Em geral, qualquer atividade mercantil é permitida, salvo negativa expressa de qualquer parlamentar, depois julgada pelo alto conselho. As atividades comerciais autônomas só podem ser estabelecidas por concessão do corpo presidencial, devendo ser requisitada nas formas previstas para tanto. Não constitui crime comercializar espólios de combate ou objetos roubados: para a lei vigente, a receptação e reintrodução do produto no mercado é um serviço à economia, não devendo ser punida.
O sistema penal prevê sanções que vão da mera advertência à expulsão definitiva do reino. Em última instância, em caso de atentados contra a vida, a liberdade econômica ou o sistema político parlamentar ("traição"), é prevista a pena de morte, executada, em sua maioria, por decepamento. Há registros na história mais distante do parlamento, porém, de métodos mais bárbaros e cruéis para esse fim (como o açoite, o estrangulamento, entre outros).

Economia

Um dos setores de maior importância do reino, constituindo a mola propulsora de seu desenvolvimento histórico e de seu sistema político. A produção do reino é baseada, principalmente, na agricultura de exportação, constante das regiões periféricas próximas às margens do rio. A região central, por sua vez, se caracteriza pela forte presença mercantil, em que bens de quase todo o continente podem ser encontrados, vendidos e comprados. As rotas comerciais, fruto das boas relações mantidas pelo reino com os territórios vizinhos, permitem uma economia ascendente, e uma casta mercantil muito bem consolidada economicamente.

Idiomas

Por sua vocação cosmopolita, praticamente todos os idiomas são falados no reino, existindo setores em que um deles desponta (como em vilarejos, por exemplo, predominados por uma raça específica). Pela mesma razão, o idioma mais usado é, por óbvio, o comum, principalmente nas ruas do comércio central.

População

A raça predominante é a humana, herança da formação inicial do reino. Entretanto, pela forte presença comercial e a grande influência do exterior, representantes de praticamente todas as raças podem ser encontrados nas ruas do centro político da Chama Central. Culturalmente, não há aversão a outras raças pelos habitantes do reino, sendo tal fato aceito como algo comum.

Lendas

Há um grande aventureiro nascido no reino, conhecido por todos como Híllian, que ganhou fama como exímio matador de dragões. Suas histórias ecoaram por todos os cantos da Chama Central, e várias versões de suas batalhas são passadas entre as gerações. Até hoje, porém, não se tem completa certeza mesmo da existência dessa tão célebre personalidade, quanto menos de seus proclamados feitos.

Locais Importantes

A praça oval, pólo comercial do reino. Localiza-se na capital econômica e política do Reino da Chama Central, e possui grande importância por sua dinâmica mercantil característica. Outro local relevante seria o institucional "Palácio do Povo", mais conhecido como o "prédio do governo": abrigo do Parlamento e do Baixo Conselho, está logo atrás da citada praça, em um imponente edifício fortemente guardado pelo melhor da armada real. O acesso ao prédio é restrito a todos, salvo permissão expressa de um parlamentar (posteriormente analisada por todo o parlamento).

Religião

Da mesma forma, muitas religiões se fazem presentes no reino, dada a diversidade cultural que existe em seu território. Predomina a adoração a Tullï, deusa da vida, e a Askardin, deus da guerra.

Curiosidades

Há diversas ruínas nas regiões periféricas do reino, provenientes dos períodos da Primeira Era. Dizem as lendas que tesouros de povos antigos se escondem nos limites do reino, e que criaturas míticas os guardam ao lado dos túmulos de seus antigos donos. Aventureiros, que constantemente passam pelo reino, trazem mais informações e cada vez mais alimentam histórias desse tipo. Pouco se sabe sobre a veracidade ou não delas.

Geografia

Predomina o clima quente e seco da época das diásporas, com uma pequena estação chuvosa durante o ano, de aproximadamente 30 dias. É ela a responsável pelas grandes cheias do rio, que permitiram a fertilidade na produção agrícola desde os primeiros tempos. Predominam regiões de planalto e planícies, com formações rochosas ao leste. Há florestas ao sul e ao leste, anteriormente às montanhas. As rotas comerciais predominam nas regiões "limpas", mas há também estradas que percorrem a região de floresta ao sul do reino. Essas florestas são conhecidas pela sua insegurança, pois, por sua densidade, facilitam emboscadas e roubos em geral.

Mapa

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