Faéria (Feywild)

Apesar de incomum, não é impossível o "sangramento" dos Planos Interiores ao Plano Material ou entre si. Se tal sangramento é incomum e geralmente tem caráter temporário, Faéria é uma cicatriz na cosmologia de Faralchar, criada da necessidade de proximidade de dois amantes divinos: Arkfalas e Nartariël. Faéria é onde a natureza primal se encontra com a cultura e conhecimento do segundo e quando estas coisas se reunem, surge o conceito planar do que ficou conhecido como o Reino das Fadas: a Emoção.

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Emoção Encarnada

Faéria é um lugar de exageros, seus verões são desérticos;seus invernos, congelantes; suas árvores vivas, frondosas e gigantescas; suas flores com espinhos, lindas e mortais. Um visitante ao Reino das Fadas pode chamar o local de tudo, menos de comum. Mas todo ser que voltou de Faéria vivo vai dar o importante conselho: as aparências enganam. O plano, e boa parte de seus abitantes, vivem em uma transição de sentimentos contínua - algumas ligadas ao ciclo natural de Arkfalas, outros a motivos mais caprichosos, se ligados a Nartariël - que leva a uma transição de opinião, e consequentemente lealdade, tão frequente quanto.

A emoção é um aspecto tão predominante em certos pontos de Faéria que pode até determinar a estética local, a aparência e mudar completamente seus habitantes. Esses pontos podem ser temporários, devido a algum evento de nota, ou permanentes. Em locais onde a Raiva predomina, a força é a lei, a guerra é o esporte e o sangue, a bebida favorita; ali, as árvores criam espinhos e duras cascas e podem até enroscar suas raízes em caminhantes desavisados, transformando-os em alimento. Já em um local onde a tristeza predomine, as árvores parecem estar sempre sem flores e suas folhas murchas e sem vida; seus habitantes são apáticos e não fazem questão de comunicar-se entre si ou com qualquer visitante. Estes sentimentos estão tão enraizados nestes locais de emoção permanente que poderá afetar, cedo ou tarde, até mesmo aqueles que só estejam ali de passagem.

Portais para Faéria

Chegar em Faéria não é uma tarefa muito simples, nem mesmo para o mais poderoso dos magos. Existe uma barreira interdimensional que bloqueia a passagem indiscriminada de criaturas ou pessoas de ou para o reino das fadas. Apenas certos locais, criados com o específico propósito, permitem a ligação de Faéria com outros planos, Interiores ou Exteriores, e o devido trânsito interdimensional. Ainda assim, estes locais são protegidos por guardiões, de um ou ambos os lados do portal; criaturas estas que foram escolhidas pelas Arquifadas ou pelos próprios deuses, Arkfalas ou Nartäriel, e imbuídos com poderes especialmente arquitetados para cumprir suas tarefas protetoras.

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Mas não é apenas por um portal que é possível a entrada em Faéria. Em ocasiões muito específicas, como usar um ritual previamente preparado em um local intocado de uma floresta no solstício de verão ou através de bênçãos dos deuses ou das arquifadas.

Intervenção Divina

Arkfalas e Nartäriel fazem-se presentes quase sempre em Faéria, não pessoalmente, mas através do eco de seus planos criados.

No início dos tempos, Nartäriel era um deus diferente, ele era uma criatura de métodos e conhecimento, muito se aproximando de Ermaras, muito distante de sua atual fama de bon vivant. Àquela época, ele ficou impressionado e intrigado com Arkfalas. O aspecto primordial e alternante da deusa da natureza o fascinava e ele também secretamente invejava sua capacidade de criar seres vivos. Por muito tempo ele tentou flertar com a deusa, sem sucesso, até perceber que era sua natureza metódica e previsível que o tornava maçante para ela. Decepcionado, ele desistiu de cortejá-la e voltou a estudar com Ermaras e Arfnech. Inconformado com a desistência imediata de Nartäriel, Ynd decidiu agir - não se sabe ao certo se para ajudar o amigo ou para vê-lo sofrer mais - e começou a levar ao futuro deus dos elfos ideias sobre diferentes poções, ideias que resultaram na criação por Nartäriel do primeiro psicotrópico. Testando em si mesmo o alucinogênico líquido, seu criador perdeu completamente as inibições e encontrou-se pregando peças nos outros deuses e criando pinturas e esculturas que nunca tinha imaginado e, principalmente, se divertindo como nunca antes. A experiência abriu a cabeça de Nartäriel que começou a aproximar-se mais dos conhecimentos artísticos e da exploração dos sentimentos ao máximo. Mas ele ainda era incapaz de criar vida. Por conselho de Ynd, Nartäriel reaproximou-se de Arkfalas que agora respondeu positivamente aos seus flertes. Depois de tempos de cortejo, Arkfalas ajudou o deus a criar o primeiro elfo.

A relação do Deus dos Elfos e da Deusa da Natureza foi o que criou o Reino das Fadas. Do Sudoeste vem a influência de Nartäriel e ali pode se encontrar os antros culturais de Faéria, com os povos mais civilizados e as relações, pelo menos aparentemente, mais simpáticas.

A Deusa da Natureza foi uma das primeiras a conquistar uma ideia para si. Enquanto os outros deuses ainda não sabiam qual seria seu papel no mundo, Arkfalas já se incomodava com a terra nua e desértica. Segundo a lenda, certa vez a Deusa viajava sozinha por uma região plana desértica - naquele tempo só existiam desertos, de pedra e arenosos - sentindo-se particularmente sozinha, pois os outros deuses ainda não possuíam consciência suficiente para consolá-la; tomada pela tristeza ela chorou, clamando pela habilidade de preencher aquele vazio e suas lágrimas transformaram a areia em terra fértil. Então ela chorou por toda Faralchar, criando fertilidade onde passava, mas nunca recebendo o que tanto desejava. Tempos mais tarde, Tullï adquiriu consciência e a primeira coisa que sentiu foi empatia pela tristeza de Arkfalas e, ainda sem saber muito o que fazer, tomou a futura Deusa da Natureza pelas mãos enquanto esta segurava alguns pedregulhos; sem saber muito bem o que tinham feito, quando ambas se deram conta, os pedregulhos se tornaram sementes e instintivamente Arkfalas sabia o que fazer com eles. E assim surgiram as plantas em Faralchar. A flora se espalhou pelo mundo e se diversificou, sempre sob o olhar atento e amoroso de Arkfalas. Já com os animais a história foi diferente. Arkfalas já era uma Deusa completa quando ela teve um sonho, um em que suas florestas eram habitadas por seres que andavam e construíam relações ainda mais complexas entre si; quando acordou, a deusa tinha tomado a forma de um animal - qual nunca foi esclarecido - e ela foi visitar Tullï, agora sua amiga, para mostrar sua nova habilidade. A deusa da vida ficou encantada com os poderes de Arkfalas e quis ajudá-la de alguma maneira; ela então tocou o ventre da deusa da natureza, ainda em forma animal, e os dois primeiros animais foram gerados naquele momento. A deusa da natureza não só ficou grávida, mas se tornou capaz de criar vida sozinha de seu próprio ventre. E assim os animais dominaram as florestas e outros ambientes de Faralchar.

Quando o tempo se unificou e a guerra entre os deuses começou, cada um deles criou um plano para si; nesta época Arkfalas populou seu plano com todas as suas criações e o inflou com um poder natural intrínseco que levou as plantas a crescer muito mais, os animais a serem mais ferozes e saudáveis e os elementos mais exuberantes e perigosos. Estes aspectos vazam para Faéria, sendo mais presentes a medida que se viaja para o Nordeste; de modo que que ir para o Nordeste é um sinônimo de tornar-se selvagem no Reino das Fadas. Nesta região, a quantidade de animais e fadas é maior; as árvores são gigantescas, com raízes saindo da terra e tendo diâmetros de mais de cinco metros.

Arquifadas e a Política de Faéria

Faéria possui Quatro Cortes oficiais. Cada uma destas cortes leva o nome de uma estação do ano e possui um palácio que abriga uma arquifada que é o regente da corte e daquela região. Acima das cortes está o Conselho das Estações de Outrora que é composto por arquifadas que já foram regentes de uma corte e passaram o poder adiante, por ter sido convidado para o Conselho, e está situado no incrível Palácio de Ílis Pryfia

Corte da Primavera

A Corte da Primavera é situada no Sudoeste de Faéria e seu palácio é chamado de Ílis Gwayhim. Esta corte é conhecida pela sua simpatia com todas as coisas vivas e por ser a representação da alegria e da jovialidade. É o antro cultural de Faéria e onde está localizada a Academia Natural e Mágica, uma escola onde se é ensinada quase todas as coisas que se poderia aprender, especialmente no quesito de arte e magia.

Os membros da Corte da Primavera são geralmente gentis e atenciosos, escondendo grandes egos que só se sentem completos quando sua arte é apreciada mais que a do outro. O regente de Ílis Gwayhim é geralmente uma Arquifada fortemente ligada à magia e costumeiramente é comparada com os maiores servos de Ermaras.

D&D 5e - Criaturas que façam um Descanso Longo nos domínios da Corte da Primavera devem fazer um Teste de Resistência de Sabedoria, CD 10, ou se sentirão compelidos a ficar mais um dia nestas terras. Caso falhe o teste por três vezes, o efeito será permanente até que uma magia como Remover Maldição, Restauração Maior ou Desejo seja conjurada sobre a criatura.

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Corte do Inverno

A Corte do Inverno é tomada pela melancolia, apatia e tristeza. Seus habitantes são considerados anti-sociais e com comportamentos depressivos. O Palácio invernal é o Ílis Gaëaf, um enorme construto de gelo nas proximidades de uma floresta conífera. Muitos habitantes de Faéria vão para a Corte do Inverno quando se despegam da vida, e acabam levando consigo todos seus bens, alguns levando (magicamente) até seus refúgios, então a região é tomada por ruínas de diversos períodos do Reino das Fadas e não são poucos exploradores, fadas ou não, que se arriscam nas tempestade gélidas em busca de riquezas.

Membros da corte gélida são geralmente taxados de ríspidos e mal educados, mas seus sentimentos soturnos lhes dão inspiração para criar arte semelhante à Corte da Primavera, mas isso nunca é devidamente assumido, por nenhum dos lados. O regente em Ílis Gaëaf é sempre uma arquifada reservada e soturna, com raríssimas aparições em público e constante rumores envolvendo sua moralidade.

D&D 5e - Criaturas que façam um Descanso Longo nos domínios da Corte do Inverno devem fazer um Teste de Resistência de Carisma, CD 10, ou se sentirão tomados por uma tristeza tremenda, não recebendo os benefícios do descanso e recebendo um nível de Exaustão.

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Corte do Verão

A Corte do Verão é a representação da força, da fúria e da espontaneidade. Seus habitantes vivem nos arredores do palácio Ílis Anyalwich, em constantes conflitos, contendas e competições dos mais variados tipos, desde os sociais até pequenas guerras entre si ou para com outras Cortes. Muitos visitam a Corte veronal em busca de sentimentos fortes, paixões arrebatadoras e de testar suas habilidades.

Cortesões veronais são considerados diretos, violentos até, e sem paciência, esta última característica bem acertada. Habitantes desta região são os mais imprevisíveis de toda Faéria, pois seus sentimentos surgem de mínimos incentivos e com intensidade arrebatadora e, ao mesmo tempo, eles trocam de ideia sobre intrigas, amizades e paixões num piscar de olhos.

D&D 5e - Criaturas que façam um Descanso Longo nos domínios da Corte do Verão deverão fazer um Teste de Resistência de Carisma, CD 10, ou serão tomados por uma fúria cega durante um dia, adquirindo o seguinte Defeito: "A melhor opção é sempre a mais rápida, mais inesperada e mais esmagadora"

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Corte do Outono

A Corte do Outono é a corte da fartura e da selvageria. Ao contrário da Corte do Verão, a selvageria do outono não está ligada diretamente à fúria, mas aos instintos primais que se escondem no subconsciente de toda criatura viva. Tudo nos domínios outonais é exageradamente abundante e possui um resíduo de instinto incontrolável.

A abundância acabou por tornar os membros da Corte do Outono acostumados às mordomias e luxos exuberantes, mesmo que rústicos, de Ílis Weimnyol. Os habitantes desta Corte são exagerados em suas relações pessoais; aqui, amizades são eternas e inimizades duram além da morte.

D&D 5e - Criaturas que comeram e/ou beberam nos domínios da Corte do Outono, ao realizar um Descanso Longo, deverão realizar um Teste de Resistência de Sabedoria ou tornar-se um Animal a escolha do mestre, de CR igual a seu nível ou inferior. A transformação é permanente, até que um Remover Maldição, Restauração Maior ou Desejo seja conjurado sobre o alvo. Se o alvo chegar a 0 PVs nesta nova forma, ele volta a sua forma original, mas deverá fazer um Teste de Resistência de Constituição, CD 10, para evitar morrer nesta nova forma; mesmo se for bem-sucedido neste teste, todo o dano que ele sofreu na forma animal será transferido a sua forma natural.

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Conselho das Estações de Outrora - Ílis Pryfia

No centro de Faéria, existe uma cidade que é tocada por todas as Cortes. Ela foi concebida na necessidade de criação de um governo centralizado pois houve uma época em que o conflito entre as cortes era incessante e ameaçava a existência do plano em si. Naquela época, as arquifadas que dominavam cada corte eram irredutíveis e queriam expandir seu poderio e suas ideologias para as demais Cortes, em especial a Corte do Verão que sempre fora a mais combativa. Mas não eram as arquifadas que lutavam as batalhas e morriam aos montes, mas sim os elfos, em especial os Eladrin. Assim, pelas costas das arquifadas, um conselho de Eladrins se reuniu, na esperança de buscar em Nartäriel um interventor nos conflitos, que ficaram conhecidos como a Guerra das Estações. Mas o deus dos elfos não quis se envolver, alegando que Faéria deveria encontrar um equilíbrio por si mesma ou ser destruída no processo, e muitos dizem que esta posição era uma adotada por Arkfalas e copiada por seu amante. Quase sem esperanças, o conselho dos Eladrin resolveu tomar medidas extremas: assassinar a arquifada Ylnifar, então senhora da Corte do Verão. O plano foi invadir Ílis Anialwych na surdina da noite e pegar a arquifada desprevinida, o que foi executado, mas dos 10 Eladrin que invadiram o Palácio, apenas 3 conseguiram escapar com vida. A morte de Ylnifar causou um impacto surpreendente nas demais Cortes, além de desestabilizar totalmente a Corte do Verão (e impedir suas constantes investidas na Guerra das Estações). O ato conseguiu para os sobreviventes fama e adeptos e, pouco tempo depois eles conseguiram montar uma cidade na região central de Faéria, Ílis Pryfia, o "Palácio dos Sábios".

Ílis Pryfia cresceu e passou a agir como moderador nas relações entre as Cortes. Uma medida importantíssima tomada pelos seus habitantes foi a criação de uma lei universal de Faéria, cujo primeiro artigo ditava que todo governante de um Corte deveria aposentar-se após mil anos de serviço e passar a trabalhar em Ílis Pryfia. Com o passar das eras, o Conselho de Eladrins foi lentamente tomado pelas arquifadas, mas não teve seu objetivo inicial corrompido, e acabou ficando conhecido como o Conselho das Estações de Outrora.

Ílis Pryfia age como a capital de Faéria e sua arquitetura, magia e tecnologia é resultado do trabalho conjunto de todos os elfos e Arquifadas que deixaram suas Cortes e aceitaram trabalhar pela união do plano, gerando uma disparidade de desenvolvimento palpável. Lá, não são incomuns barcos voadores, edifícios de cristal e metal e estudos mágicos de ponta, rivalizando com a Torre de Ermaras.

Mas não são todos que podem se aventurar pelas ruas desta capital esplêndida. É necessário um visto especial para que se possa sequer adentrar nos domínios de Ílis Pryfia e um visto permanente só é possível em audiência com o Conselho das Estações de Outrora. Raríssimos estrangeiros podem ser encontrados na cidade. Além de tudo, existe um campo mágico que protege a cidade de espiões, pois tudo o que é visto, escutado e até mesmo registrado em Ílis Pryfia tem a chance de magicamente se perder do consciente de um viajante.

D&D 5e - Criaturas que saiam de Ílis Pryfia devem fazer um teste de resistência de Sabedoria (CD15) ou esquecer tudo que lhe aconteceu na cidade. Ainda, um teste mal sucedido faz com que qualquer anotação, em qualquer material, que a criatura tenha feito enquanto na cidade também magicamente desapareça.

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Além de Fadas e Elfos

Elfos e fadas são os principais habitantes de Faéria, mas não é só entorno deles que a sociedade do plano revolve.

Nos pântanos de de Dewin-Aë, um poderoso conclave de bruxas tomou posse da região, anteriormente pertencente à Corte do Outono. Lá, as bruxas se organizaram sob a Grande Mãe, que é basicamente a rainha das bruxas e, segundo dizem, de quem todas as bruxas descendem. No local, muitos povos são escravizados e almas são tomadas à força para alimentar a Grande Mãe e as Bruxas Anciãs. Diz a lenda que, uma vez a cada 133 anos, todas as bruxas de Faéria (em alguns casos de outros planos também) se reúnem em Dewin-Aë para o maio Convento de Bruxas de uma geração. O poder das bruxas é bem difundido na cultura de Faéria e muitos acreditam que elas governam muitas cidades e até influenciam algumas cortes por debaixo dos panos; isso fez com que o domínio das bruxas ficasse conhecido como a Corte do Crepúsculo.

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Além das bruxas, habitando os cantos mais tranquilos da Corte da Primavera, Halflings e Gnomos levam vidas em suas vilas idílicas. A principal cidade Halfling é Hammerling, um lugar construído sobre as colinas a Sudeste da Planície Primaveril; o local é pacato e voltado para o campo, sendo muito conhecido por seus licores e culinária marcada por estranhas especiarias.

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Berlíria é a cidade dos Gnomos e é bem diferente de Hammerling: a tecnologia de Berlíria é uma mistura de vapor e magia e dá um visual bem diferente para a cidade que se destaca pela exploração de minérios.

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Nestas cidades, gnomos e halflings conseguem viver suas vidas basicamente intocadas pelas intrigas e vaidades das fadas e dos elfos, muitas vezes sendo consideradas um refúgio seguro quando as emoções estão muito a flor da pele.

Mapa

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