A Saga De Saren Illithiel
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[Aventura1] A Caverna dos Pequenos Dragões

Saren Illithiel é uma serva da justiça, mas ao contrário dos outros do Senhor da Guerra, ela também reverencia a Vida. Mal sabe ela que o seu Destino está acima de qualquer dos dois ideais.

Saren vive uma vida de buscas. Uma de seus principais, não o principal, no entanto, é reencontrar aquele que ela pode chamar de pai: Tiron, Lâmina da Misericórdia. Deve-se dizer que ele a ensinou bem. Mas não foi só ele que deve ser congratulado pela sua formação, pois Saren é de porte físico e mental incrível, muito superior que a maioria dos mortais nas Terras de Faralchar. Pois bem, ela vaga pelos domínios de Askardin em busca de seu antigo tutor, aquele que um dia salvara sua vida. Finalmente, ela teve uma informação concreta. Esta vinha de um sábio clérigo de Askardin, ele a informou que um membro da Lâmina de Prata (uma extinta organização de guerreiros da qual Tiron participava) estava na cidade de Ilkar. E para lá, a paladina seguiu confiante.

Chegando lá, ela foi para o lugar onde as informações importantes circulavam como num rio: a Taverna da Lâmina Vermelha. O taverneiro, no entanto, não sabia de nada do aparecimento de alguém com a descrição de Tiron; mas ele a aconselhou que o bardo que ali tocava poderia ter ouvido falar de algo, pois ele era mais bem informado. Pois bem, era hora de esperar.

Ela sentou-se à mesa. Pouco tempo depois, adentra a taverna um homem em estado deplorável: tinha os cabelos negros terrivelmente emaranhados, sua pele estava morena estava muito suja, ele vestia um manto cinza muito mau tratado que cobria todo seu corpo imundo, em sua mão uma garrafa de bebida, que poderia ser tomada como alcoólica quando se via seu andar bamboleante. O ébrio foi até a mesa de Saren, sentou-se sem pedir licença e começou a balbuciar incoerências que podem ser explicadas por seu estado mental debilitado.

Saren não era obrigada a ouvir as besteiras daquele homem, levantou-se e já ia à direção do taverneiro quando uma mão firme e muito forte agarrara-lhe o braço. Ela olha e vê o ser que antes estava totalmente inebriado pelo álcool, mas agora estava com olhos brilhantes e ele disse:

“Existe uma mina ao norte daqui, ela foi dominada por pequenas criaturas. Acredite em mim quando eu digo que seu futuro estará mais perto de seu fim se para lá for a socorro daqueles que são prisioneiros. Mas alguém te ajudará, será um homem com uma marca brilhante e dourada de uma ampulheta.”

Depois de feito o discurso, o homem voltou ao seu estado ébrio e quando perguntado sobre o que ele acabara de falar, o estranho pareceu não ter percebido nada. Mas Saren tinha certeza de que aquelas palavras não poderiam ser proferidas por um bêbado. Ela foi então perguntar se o taverneiro conhecia aquele homem, mas ao virar-se para apontá-lo, o bêbado havia sumido. Muito estranho.

Finalmente chegara o bardo, e com ele as más notícias, ele não conhecia nenhum membro da Lâmina de Prata, nem sobre a tal mina ao norte. Saren foi informada pelo menestrel onde se poderia comprar suprimentos, mas era um tanto tarde para chamar à senhora que os produzia que já deveria estar dormindo. Era sábio passar a noite ali.

O Outro Lado da Mesma Moeda
Ryon Talmer é um prodígio nas artes musicais. Mas ele era mais do que isso, ele não pertencia a Faralchar, pelo menos a sua origem não é desse mundo. Em busca de sua passagem de volta, ele encontrou Moran, um talentoso menestrel que se interessou pela história do garoto. Moran contou a ele a lenda da Taverna do Fim do Mundo e sobre o Mensageiro do Destino. Ryon é um viajante, não ha maneira melhor de descobrir coisas escondidas do que viagens. E foi em uma dessas viagens que seu destino mudou.

Ryon se encontrava em uma cidade nos domínios de Askardin, o Deus da Guerra. Era noite quando ele chegara e ele foi informado da melhor taverna da cidade: a Lâmina Vermelha. Antes de lá chegar, mas avistando a entrada desta, ele viu um bêbado saindo (nada incomum numa taverna pensou ele). Mas o ébrio endireitou sua maneira de andar, seus cabelos encurtaram e se arrumaram e tornaram-se dourados brilhante, mesma cor que adquiriram seus olhos. O ex-ébrio jogou fora a garrafa que carregava e tirou o manto cinzento e sujo que vestia, exibindo uma armadura reluzente e confortável debaixo deste, assim como um par de asas cinzentas. Não havia dúvidas, era um Mensageiro do Destino. Ele entrou em beco. O bardo não se conteve e seguiu a criatura.

“Sabeis quem eu sou, Ryon, não preciso te enganar. Aqui nessa taverna existe alguém cujo destino será grandioso e cabe a você auxiliá-la nessa tarefa. Sim, sei sobre o seu mundo, mas não poderei contar como se retorna para lá, mas também é verdade que a Taverna do Fim do Mundo abriga alguém que pode lhe falar sobre isso. Siga o meu conselho, ajude à senhorita (ela irá lhe reconhecer, toca a marca no braço de Ryon) e você terá o que quer. Ela lhe perguntará sobre uma mina, diga a ela que você sabe sobre as criaturas pequenas descendentes dos dragões. Deixarei aqui algo que ajudará vocês dois". Um instante e ele tinha sumido, deixando somente um pedaço de espelho, dois frascos e um mapa.

A Junção de Duas Histórias
Ryon sai do beco, e é dia. O Mensageiro aparentemente possui mais poderes que lhe fora dito. Mas não pode culpar seu mentor, extremamente raros são os que estiveram à presença daquele Servo do Destino. Só há uma coisa a fazer: encarar seu destino. Ryon adentrou a Taverna.

Aos olhos de Saren, que estava ceando seu almoço em uma mesa, entrava na taverna uma visão, um prenúncio de que o estranho ébrio tinha razão. Ele veio finalmente na direção dela, e as palavras do Mensageiro do Destino se cumpriram. Partiriam para a mina.

Rumaram, então, para o norte. Juntos.

Eles não sabiam, mas ali começara um entrelaçamento de fatos que se estenderia por muito tempo.

A Caverna dos Pequenos Dragões
Chegaram sem problemas até a mina. Lá encontraram corpos de humanos mortos e dois kobolds. Houve um pequeno conflito, onde um dos pequenos dragões fugiu e o outro foi derrubado com uma pancada de Saren. E fora capturado.

Através dos encantos melódicos de Ryon, descobriram que aqueles kobolds haviam sido comandados por um "chefe", que aparentava ser um clérigo de Varkast (o deus adormecido dos dragões), este que proclamou a mina como Território de Varkast e erguera ali um pequeno santuário em nome de seu deus. Convenceram o kobold a convocar uma reunião com o tal chefe.

Assim foi feito, e lhes foram apresentado Kermel, o líder daqueles kobolds. Depois de uma tentativa mal-sucedida de negociação a fim de liberar os prisioneiros, Ryon e Saren tiveram que se retirar. Ate foram atacados quando Ryon tentou usar uma magia que lhe diria se os kobolds estavam sendo manipulados misticamente.

Não havia outra maneira, precisava-se libertar os prisioneiros. Já estavam quase tomando a decisão mais brutal quando Ryon lembrou-se dos frascos que o Mensageiro do Destino havia lhe entregado. Na cidade, descobriram que os frascos se tratavam de poções de invisibilidade, uma magia com efeitos auto-explicativos.

Voltaram às minas, lutaram com mais dos pequeninos, enfrentaram seu líder, o clérigo de Varkast. Derrotaram todos os desafios, mas Ryon quase pereceu tentando profanar um altar de Varkast. Estavam muito feridos, no entanto, para procurar pelos prisioneiros. Voltaram para a cidade.

Desventuras e Castigos
Levaram consigo o líder dos dragõezinhos. Esse fora o erro por qual eles viriam a se arrepender depois.

Ryon, ainda inconsciente fora levado para o templo de Askardin para se recuperar. Lá, Saren ficou encarregada de livrar-se do líder dos pequenos.

Matá-lo ia contra seus princípios, não poderia fazer isso. A outra opção foi escolhida. Saren levou o pequenino para longe da cidade e o libertou assim que este recuperou a consciência. Mas o pequenino não parecia muito grato. Suas palavras que mais seriam lembradas depois disso:

“Nós acertaremos isso depois!”

Mas as palavras ásperas do kobold não eram a maior preocupação de Saren. Ela bem sabia as conseqüências de libertar aquela criatura: o Banimento. O chefe da milícia, no entanto, lhe ofereceu mais que essa sentença. A Ryon e Saren fora oferecida a recompensa por mostrarem o lugar tomado por criaturas-dragões e, além disso, um conselho:

“Sugiro que vocês rumem para o norte, sigam para Mardel, onde poderão encontrar mais suprimentos e depois para noroeste.”

Infelizmente, nem Saren nem Ryon sabiam para onde estavam indo. Estavam indo para os Domínios de Ars, o Senhor do Abismo.

Por Trás das Cortinas
A Lâmina de Prata teve muitos valorosos guerreiros. Um deles era Lars, um homem íntegro de conceito moral indubitável. Lars admirava Tiron, mas não concordava muito com sua compaixão que muitas vezes iam contra as regras do Senhor da Guerra. Mas Tiron era seu superior e tinha por ele um respeito maior que ao seu próprio irmão mais velho, Vestrom, outro grande e valoroso membro da Lâmina.

Depois da extinção da Lâmina de Prata, Lars saiu do ramo militar assíduo, e passou a usar suas habilidades em nome de causas mais modestas. Ficou sabendo que um amigo seu de infância abrira uma taverna em uma pequena vila nos Domínios internos de Askardin. Fora até a Lâmina Vermelha, o nome da taverna, e passou a conviver ali com as pessoas comuns. Mas Lars não era uma pessoa comum, logo fora nomeado para ser o chefe da pequena milícia da vila.

Certo dia, é informado sobre kobolds fazendo prisioneiros numa mina ao norte de sua jurisdição. A caminho da tal mina, recebeu uma mensagem de seu irmão, Vestrom. Esta dizia que a afilhada de Tiron estava em sua vila. Pediu, também, para que Lars a enviasse para os Domínios de Ars, pois fora ali que Tiron fora visto pela última vez. Também falou que não era necessária muita preocupação com a garota, já que era quem era, e que ele mesmo iria encontrá-la antes que ela alcançasse as terras exteriores. Deveria ele manter segredo, porém, pois aparentemente algo grande ia acontecer e contar para ela seria perigoso.

Voltando para a cidade depois de escorraçados os kobolds, a surpresa: era Saren quem havia descoberto o ataque à mina. E descobrira também que ela deixara fugir o líder dos kobolds. "É com certeza ela, seu comportamento é bem parecido com Tiron". Lars cumpriu a lei e a baniu, mas indicou o caminho a seguir, assim como Vestrom havia pedido e lhe dera algum dinheiro para a viagem.

“Vá com cuidado, filha de Tiron, e encontre seu amado pai. Que ele esteja vivo."

[Aventura2] Fogo Ancestral

Uma vez expulsos da pequena cidade de Ilkar, Saren e Ryon rumaram para o noroeste. Depois de um dia e meio de viagem, eles chegaram à cidade de Melder, uma grande cidade perto da fronteira norte dos domínios do deus da guerra. Lá conseguiram suprimentos. Mas antes de comprá-los, deveriam descobrir mais sobre o seu destino. Foi na melhor taverna da cidade, a Folha Dourada, que eles encontraram tais informações.

Foi na Folha Dourada que Saren, pela primeira vez, se deparou com o universo da nobreza: Roupas elegantes e falas pomposas escondem a ignorância, a indecência e os verdadeiros sentimentos de mentes, muitas vezes deturpadas e maldosas. O que o Feitiço do Ouro fizera àquelas pessoas dificilmente poderia ser revertido. No entanto, ainda deve-se ressaltar que a taverna é definitivamente a melhor da região: tem as melhores infra-estruturas, a melhor segurança e o melhor músico que se dispõe a ser contratado num raio de milhas: Tellec.

Foi com Tellec que os aventureiros descobriram as informações que desejavam e algo mais. Ele lhes falou que o território para onde caminhavam era uma Zona de Guerra entre os territórios de Ars e Askardin. Também lhes informou que se seguissem pela estrada que os tinha guiado até agora, para que não tomassem o caminho da direita, pois este levava a algum lugar de onde aqueles que adentravam não haviam retornado.

Tendo seu objetivo alcançado, não tinham dinheiro o suficiente para passar a noite na Folha Dourada, então se retiraram para outra estalagem mais econômica.

Visões da Noite
Durante a noite, o sono de Ryon fora interrompido de maneira abrupta. Ele acordou com sinais de febre. Não conseguia pensar muito claramente, seja pelo sono, seja pelo susto ou pela estranha febre que havia lhe feito suar durante a madrugada. Foi até a janela tomar um ar. Quando voltou a sua cama, percebeu que algo lhe incomodava. Ao verificar, notou que o pedaço de espelho que o Guardião do Destino lhe havia entregado estava em seu bolso.

Olhando através do espelho, ele viu: Ryon e Saren tomando o caminho da direita em uma encruzilhada e um lobo desesperado em meio a chamas que envolviam toda a cena. Depois dessa estranha visão, o bardo pode dormir tranqüilo novamente.

No dia seguinte, finalmente partiram novamente.

Desespero Lupino
Como Tellec havia dito, depois de um dia e meio de vigem naquela estrada, os aventureiros chegaram à falada bifurcação. No meio da mata, perto dali, Ryon encontrou uma espécie de placa, quase destruída pelo tempo e pelas trepadeiras que indicava que o caminho que provavelmente anteriormente levava à Taverna do Alvorecer. Depois de um pouco pensar, resolveram que deveriam ir pelo caminho da direita para evitar que mais inocentes desaparecessem sem mais nem menos.

Depois de algum tempo de caminhada numa estrada a muito não cuidada, eles chegaram a uma construção que suporam ser a Taverna do Alvorecer. Um barulho de algo batendo na madeira os deixou apreensivos, mas olhando por uma das janelas abertas, perceberam que o barulho vinha de ovelhas que estavam colocadas dentro da estalagem em ruínas. Resolveram entrar e investigar.

Entraram e não encontraram nem motivo de desaparecimento, nem o dono das ovelhas, apenas uma carcaça de uma delas em um dos quartos. Mal sabiam que estavam sendo vigiados. Só faltava um lugar para ser espiado: a adega.

Descendo pela escadaria que estava atrás do que antes deveria ser o balcão da estalagem, encontraram uma adega destruída, as poucas garrafas que restavam estavam quebradas e sem sinal de líquido algum. Mas havia uma porta, entreaberta. Atrás desta, estavam olhos brilhantes. A criatura atrás da porta soltou uma voz não monstruosa pedindo para que eles saíssem antes que se machucassem. Uma breve discussão terminou quando a criatura do outro lado da porta começou a soltar sons de dor.

Saren foi verificar e acabou dando de cara com uma criatura meio humana meio lupina que saltou sobre ela e desferiu um golpe com suas afiadas garras. Depois de uma breve batalha, Saren foi derrubada à inconsciência pelo lobisomem. Mas este passou por uma espécie de dor, como se algo lutasse dentro dele. Ele virou lobo e saiu da adega sem dar atenção a Ryon.

Alvorecer de Fogo
Depois de tratar do sangramento de Saren, Ryon foi explorar o que havia atrás da porta de onde o lupino havia vindo. Lá ele ficou surpreso ao encontrar o que tornava o lugar tão quente: de um buraco no chão, fogo brotava vez ou outra como água brota de uma mina.

Depois de um tempo pensando no que fazer, ele decidiu entrar no buraco para descobrir a fonte de tal fogo. Com pulo, estava lá embaixo. Por pouco não fora queimado até a morte, mas uma pedra que esta ao lado de seu local de queda o protegeu. Logo o bardo percebeu que o que o havia protegido fora os restos mortais de um indivíduo, ou melhor, o escudo que o cadáver portava.

Tomando o escudo para si, Ryon enfrentou o fogo que parecia vir de um buraco escavado na rocha daquele lugar sombrio. Após atravessar o buraco, Ryon encontrou uma das coisas mais maravilhosas e, ao mesmo tempo, terríveis que ele já houvera visto em sua vida: uma cabeça gigante, com escamas rubras e brilhantes. Aparentemente, o dragão dormia ali por muito tempo e expelia fogo pela sua enorme boca vez ou outra.

Depois de várias tentativas falhas de acordar a criatura, o bardo fez o que fazia de melhor, cantou uma canção. Talvez ele não tenha percebido, mas a canção que tocava falava sobre um dragão que se apaixonara por uma mortal. A canção fez o Dragão, Elver, despertar de seu sono de milênios. Elver jogou um feitiço em Ryon para que ele pudesse tirar Saren da estalagem para livrar os dois do que estaria para acontecer depois. Assim foi feito.

E logo a demonstração de Força de Elver: ele levantou da terra, literalmente implodindo a Taverna do Alvorecer. De baixo de uma de suas rubras escamas, Elver tirou uma pedra branca, opaca e brilhante, deu-a a Ryon e instruiu que ele a colocasse sobre o peito de Saren. Um pequeno brilho sai da pedra e a paladina recobrou a consciência, curada de seus ferimentos. Ela agradeceu e pediu para que Elver os ajudasse a curar a doença daquele homem, que foram informados pelo dragão que se chamava licantropia.

Fogo Purificador
Elver disse para os aventureiros o básico sobre o ritual para que a maldição da licantropia fosse quebrada. Mas eles não sabiam nada sobre a tal Beladona, uma erva que era necessária para o ritual. Então foi decidido que o dragão procuraria a erva e que os humanos se encarregariam de encontrar o lobisomem e imobilizá-lo com um rubi que deveria ser simplesmente encostado em sua pele.

Depois de andar um pouco pela floresta, finalmente eles encontraram o homem lobo. Uma nova batalha se iniciou e Saren novamente caiu perante os poderosos golpes da criatura, mas Ryon teve a sorte de conseguir tocar o rubi no corpo do lobisomem, fazendo que ele parasse de se mexer imediatamente.

O bardo levou o corpo inerte do homem lobo de volta a Elver e este fez o ritual que a licantropia fosse retirada e obteve sucesso. Era a hora da separação deles: Elver deveria voltar para a terra dos dragões para reiterar suas promessas para Arkan e Surth, mas ele poderia fazer algo mais pelos pequeninos. Assim foi que Saren e Ryon atravessaram as Montanhas Castanhas carregados por um legítimo dragão verdadeiro.

E dois itens poderosos foram adicionados às suas mochilas: A Pedra da Alma, que logo descobririam do que se tratava e o Escudo de Tormel.

[Aventura3] Velhos Amigos e Novos Amigos

Com a grande ajuda de Elver, Ryon e Saren chegaram finalmente à cidade de Tenvar, uma das últimas cidades fronteiriças ao norte do Domínio de Askardin. Saren ainda estava muito machucada devido ao último combate com o homem lobo e precisava descansar. Assim, Ryon a levou até a primeira estalagem que encontrou. Mas lá, alguém os esperava.

Logo quando o bardo entrou pela porta da taverna com a paladina em braços, a figura que tocava em um pequeno palco no fundo do lugar parou imediatamente o que fazia e, como num passe de mágica, tomou Saren das mãos de Ryon, com um olhar de reprovação para este. Mas o senhor se preocupava com a paladina, aparentemente, porque a levou até seus aposentos e tratou magicamente suas feridas.

Quando Saren recuperou a consciência, eles dialogaram mais formalmente. Aquele senhor era Vestrom, um antigo amigo do pai de Saren. Ele estava ali os esperando para que eles fossem à procura de Tiron, que, conforme o menestrel falara, estava nas terras de Ars, em uma espécie de busca insana. Vestrom temia pela sanidade mental e física de Tiron, então disse que iria junto com eles. Deveriam partir logo na próxima manhã.

Assim foi feito. Ryon e Saren, agora acompanhados pelo chantre Vestrom da Lâmina de Prata, partiram em rumo à representação terrena do Abismo. Mal sabiam eles que encontrariam pessoas que nunca imaginariam encontrar.

Guerra Repentina
"Tomem cuidado agora, acabamos de adentrar na Zona das Batalhas Repentinas. "Por que elas têm esse nome?”“, perguntariam vocês, e eu respondo: aqui é onde acontecem as batalhas mais rápidas da fronteira entre os dois reinos. Nunca se sabe quando elas começam ou terminam. Temos que tomar muito cuidado para não sermos pegos, ou isso pode ser o nosso fim, ou melhor, o de vocês, pois eu me garanto em combate, mas vocês ainda são inexperientes. E o pior: às vezes, os próprios deuses se envolvem nessas batalhas e eu não estou nem um pouco interessado com Ars, nem hoje nem nunca.”
-Vestrom, explicando sobre as Batalhas Repentinas.

Infelizmente para eles, o desejo de Vestrom não se cumpriu. Depois de alguns dias de viagem, eles se encontravam numa planície quando avistaram uma figura humanóide. Chegando mais perto, notaram que o homem vestia uma armadura de batalha muito brilhante de uma cor muito mais branca que o metal. Em sua cintura, estava uma espada bastarda de um negro translúcido incrustada com runas douradas brilhantes em uma língua tão antiga quanto os próprios deuses. Logos eles perceberam o porquê: quando fitaram a face do homem, viram que ele possuía olhos perolados e brilhantes, símbolos de sua característica divina. Aquele era nada mais nada menos que o próprio Askardin, o deus da guerra. Mas não tiveram tempo de reagir dignamente, pois no horizonte estava uma figura gigantesca, de pele vermelha, asas membranosas e chifres negros. Aquele era o próprio Ars.

De um momento para o outro, dois exércitos brotaram do nada. Surgindo de símbolos malignos do lado de lá e da própria terra do lado de cá. Uma batalha se sucedeu e durou menos de horas. Não seria sensato descrever as cenas daquele momento, pois nem os próprios aventureiros podiam distinguir a realidade da insanidade. Mas algo foi claro: no final de tudo, Askardin levantou sua espada pela primeira vez e passou-a pelo ar, mas o efeito foi muito maior, infindáveis demônios caíram perante tal ato, mostrando a Força do Deus da Guerra. Logo tudo sumiu.

Nas Terras do Mal
Depois da batalha, os aventureiros finalmente cruzaram a Zona das Batalhas Repentinas e adentraram os domínios de Ars. À primeira vista, era uma terra normal. Mas essa opinião mudou quando encontraram uma pequena criatura que estava na forma de um humano e esta tentava enganar os aventureiros, mas seus truques foram descobertos por Vestrom e ele deu um fim àquela criatura do Abismo. Logo depois, uma pequena horda atacou os aventureiros, mas eles venceram a batalha há um pouco de custo.

Depois de mais alguns dias caminhando, chegaram a uma cidade portuária. Ela era guardada por dois cavaleiros em armaduras negras com aura maligna, percebida por Saren. Mas a magia de Vestrom os protegeu e os permitiu entrar em segurança e sem problemas na cidade. Apenas para ver algo pior. A cidade era mais parecida com um pesadelo, principalmente na mente de Saren: mercadores vendendo partes profanadas de corpos de criaturas conhecidas e desconhecidas vendiam até criaturas vivas para trabalharem como escravos (a escravidão, assim como Vestrom lhes informara, era muito comum por essas terras). Foram até a taverna que menos oferecia riscos.

Vestrom saiu para buscar suprimentos que estavam a acabar, o principal motivo de eles se aventurarem naquela cidade maldita. Durante o tempo que ele esteve fora, Saren foi convencida por Ryon a não salvar os escravos, como ela desejava fazer, para não chamar atenção para si mesmos.

Vestrom voltou desesperado. Ars estava na cidade. Precisavam partir imediatamente.

O menestrel realizou uma magia que os tirou dali, mas com um preço. Apareceram no céu de uma praia quilômetros ao norte daquela cidade, mas Vestrom novamente os salvou fazendo-os cair mais devagar e sem nenhum arranhão.

Era chegada a hora de Ryon e Saren receberem um verdadeiro treinamento para que tivessem mais chances de sobreviver naquelas terras, principalmente se Vestrom desaparecesse.

Fogo Destruidor
No meio de uma noite, quando Ryon e Saren descansavam de seu duro treinamento, algo iluminou os céus e fez a terra tremer. Algo além dos poderes que os dois possuíam ou mesmo que Vestrom. Mas não era algo imortal, por mais que parecesse. Curiosos, os aventureiros saíram da caverna onde estavam para verificar a causa de tamanha pira. Ao sul, provavelmente da cidade de onde haviam vindo dias atrás, eles viram uma imensidão rubra, a cidade queimava em chamas.

Logo, uma imensa bola de fogo desprendeu-se da grande pira escarlate e veio na direção deles, mas Ryon e Vestrom poderiam jurar que havia algo humanóide no interior daquele meteoro e que este estava sendo seguido. O meteoro caiu, então, perto de onde estavam o menestrel e seus pupilos e eles espiaram. Viram o que temiam que fosse truque de sua imaginação antes, mas o que agora parecia bastante real: dois humanos, provavelmente detentores de imenso poder, insultando-se numa discussão deveras acalorada.

Logo depois de uma luta épica, com direito a rajadas de fogo gigantescas e arremesso de montanhas, aquele que parecia uma bola de fogo anteriormente, fora subjugado pelo imenso poder de seu adversário e seus poderes foram retirados e colocados dentro de uma esfera opaca dourada que, segundo o vencedor, só poderia ser quebrada quando o perdedor se redimisse perante seus juramentos e usasse seus poderes da maneira correta. E o vencedor partiu, sumindo no vento.

Saren e seus companheiros decidiram ajudar o perdedor, quando constataram que este ainda estava vivo. Mas este permaneceu inconsciente por mais alguns dias, antes que despertasse com gritos de agonia e raiva. Ele se intitulou Téranon e disse que a cena daquela noite fora uma punição por ter usado seus poderes para se comparar à Ars e que o inimigo que o havia subjugado era um Grande Mago, Endor. Sem poderes e fraco, Téranon aceitou a oferta de Saren para continuar com eles naquelas terras malditas.

Cidade Deserta
Téranon parecia uma pessoa egoísta e sem escrúpulos, mas ele bem sabia de sua atual situação deplorável e não insistia em contrariar seus novos companheiros. Sendo assim, Vestrom sugeriu que eles rumassem para o oeste, já que se rumassem para o norte, do ponto em que estavam provavelmente dariam de cara com a Capital dos Domínios de Ars, uma cidade fortaleza dominada pelo mal e pela crueldade.

Foi assim que tomaram o caminho do oeste, enfrentaram gigantes e passaram por uma tropa de zumbis, aparentemente sem comandante, antes de avistarem uma vila. Mas ainda antes de chegarem à vila, na calada da noite, foram atacados por um bandido que foi facilmente rendido. Mas finalmente chegaram à vila.

Mas a pequena cidade não parecia muito receptiva, não se via pessoas na rua e as que estavam em suas casas pareciam assustadas. Foram para a taverna. Lá, todos os encaravam com maus olhos. Pediram uma mesa e Vestrom saiu para procurar mantimentos para a viagem. Logo depois, entra um homem totalmente vestido por uma armadura negra, com sua face coberta por um elmo equivalentemente sombrio. Ele fez algumas perguntas para o taverneiro e logo saiu.

Téranon parecia entediado, resolveu sair para espairar. Depois de um longo tempo, Saren e Ryon já preocupados com seus companheiros, decidiram sair à procura deles. O primeiro que encontraram foi Téranon, que discutia com um daqueles cavaleiros em armaduras negras. E a discussão terminou em briga com os aventureiros, mas o cavaleiro negro foi derrotado. Com os espólios, veio a armadura que Téranon identificou como adamante e que seria de grande uso para Saren. Foram então procurar um ferreiro para adaptá-la ao corpo da paladina. Mas antes necessitavam descobrir o porquê de o cavaleiro carregava um pergaminho com o rosto de Saren. Ryon, então, decidiu vestir-se como o cavaleiro e investigar na taverna. Lá, as coisas não deram muito certo, mas ele acabou por descobrir que não era apenas Saren que eles procuravam.

Fuga e Descoberta
Ryon voltou, então, para a companhia de Saren e Téranon. O mago, então, decidiu sair à procura de Vestrom, enquanto seus outros companheiros procuravam um ferreiro. Logo, a paladina e o bardo encontraram um ferreiro, um senhor que parecia ser boa gente e foi ele quem os informou que aqueles cavaleiros negros estavam na cidade para encontrar cinco pessoas. Saren era uma delas, assim como o homem cuja descrição parecia muito com Tiron. Ficar naquela cidade já estava parecendo arriscado demais. Decidiram procurar por Vestrom e Téranon e depois partir o mais rápido possível.

Foi então que saíram da casa do ferreiro, encontraram Vestrom e depois Téranon. Partiram logo em seguida, com todo o cuidado que poderiam proporcionar a sua fuga silenciosa.

Seguiram para o oeste até encontrar uma montanha. Vestrom achou que seria mais rápido atravessá-la voando. Assim foi feito. Mas no ar, eles encontraram elementais que foram, com certa dificuldade, eliminados e no pico da montanha encontraram aquele que controlava as criaturas, aparentemente um mago. Mas Vestrom não estava de muito bom humor naquele dia e rapidamente o eliminou antes que ele pudesse causar mal a Saren e seus outros companheiros. Fato é que havia uma torre naquela montanha, escondida por ilusões. Rumaram para a tal construção.

Lá encontraram vários itens que poderiam ser úteis para suas jornadas: um tapete voador e uma bola de cristal. Foi através desta que Téranon pode estimar a localização de Tiron: no extremo norte dos domínios de Ars, havia um colosso, o famoso guerreiro deveria estar por lá. Mas havia algo errado, a visão de Tiron, como Téranon pode perceber estava sendo obscurecida por algo…

Fogo Salvador
Rumaram então para o norte. Mas antes que alcançassem seu destino, Vestrom achou melhor que ele fosse sozinho para investigar a situação de Tiron, para não colocar seus companheiros em perigo, então ele partiu na frente e ordenou que eles continuassem a pé.

Foi nessa jornada em terra que os aventureiros encontraram ruínas do que antigamente poderia ter sido uma grande construção. Entraram em um dos edifícios que ainda continuavam de pé e encontraram uma pequena horda de zumbis, que foram facilmente derrotados graças aos poderes benignos de Saren. Lá havia também uma fonte com água profana que chamou o interesse de Ryon.

Adentraram mais no edifício e encontraram mais inimigos, entre mortos-vivos e diabos. Infelizmente, Ryon acabou caindo inconsciente na batalha contra um diabo, justo antes de a maior batalha acontecer. Pois logo depois encontraram o que deveria ser o salão principal de um templo dedicado a Ars. Depois de uma árdua batalha, Téranon e Saren acabaram também por tombar perante as artes negras do servo do Deus do Abismo.

Mas logo eles retomaram a consciência e descobriram que estavam sendo oferecidos em sacrifício para um lorde diabo. O diabo foi, então, invocado e reconheceu Saren por algum motivo. Mas quando tudo parecia estar perdido, Vestrom e Tiron teleportam-se para o lugar e uma grande batalha se sucede.

Quando Vestrom e Tiron parecem que não podem mais suportar os efeitos terríveis dos poderes do diabo, Téranon percebe que foi para estar ali que seus poderes foram retirados. Com um movimento rápido, a pedra que coninha seus poderes fora quebrada. E então ele percebeu

"Fogo Purificador,
Salve a alma pura e destrua a impura.
Pois na escuridão, serás a luz.
Pois, no futuro, aqueles que tu salvas salvarás outros.
Pois é do fundo da minha alma que eu peço.
Em Nome dos Cinco Grandes Magos, obedeça-me!"

E de suas mãos partiu um fogo, não destruidor, mas salvador. Este teve o poder de salvar Saren e seus companheiros assim como de expulsar aquele diabo que lhes importunavam.

Insanidade
Finalmente, todos estavam a salvo.

Após uma breve despedida, Téranon desapareceu como se transformasse em vento. Mas não seria a última vez que eles o veriam.

Logo Vestrom daria as más notícias: Tiron estava sofrendo de uma estranha insanidade. Depois de anos vagando por aquelas terras nefastas, sua mente havia sido destruída por alguma razão. Mas era fato que Saren e Ryon não poderiam ficar ali por muito mais tempo, pois eles eram aparentemente procurados. Vestrom, no entanto, não poderia deixar seu capitão ali por motivo nenhum, nem Saren permitiria que seu amado pai permanecesse naquelas terras sozinho. Então foi decidido. Saren e Ryon seriam transportados por Vestrom para as terras dos anões, para a residência de um de seus amigos, o anão Kromer. Este que poderia dar mais informações sobre o molde que Askardin dera pessoalmente à paladina. Lá estariam seguros.

Novamente, Vestrom providenciou um círculo de teleporte que levaria Saren e Ryon para sua próxima parada: Crionashtur, o Continente Gelado.

E foram então transportados. Aonde chegaram era escuro e tinham barulhos por toda a parte. Quando Ryon iluminou um pouco as coisas, viram seus anfitriões: anões.

Sejam bem vindos para a Capital Sob a Montanha.

[Aventura4] Sol Negro Poente

Não foi difícil para os aventureiros acharem Kromer. Ele possuía uma grande casa na área nobre da cidade. E já eram esperados. Foram acolhidos com todas as honrarias anãs, mas Kromer não estava lá. Ele estava trabalhando nas grandes Forjas do Palácio de Norgar. Decidiram então, vasculhar a cidade, comprar e vender coisas.

Foi num desses passeios que Saren presenciou a ação da milícia anã. Ela ficou interessada pelo método efetivo e com poucos machucados que a milícia tratava os ladrões, incluindo o arremesso de algemas e os estranhos modos de se algemar alguém. Depois de indagar o anão responsável por prender o bandido, ela descobriu que aquela técnica só poderia ser ensinada para um integrante da milícia.

Foi na base da milícia que ela encontrou as imposições para aqueles que gostariam de integrar-se na organização. Eram dois testes, um físico e uma missão supervisionada. A paladina decidiu tentar.

O teste físico foi contra uma anã, mas esta se complicou um pouco com sua arma e acabou por ser derrotada. O teste físico teve aprovação.

A missão era investigar a morte um anão que ocorrera na parte baixa da cidade. O supervisor seria a própria anã derrotada por Saren, chamada Surin.

Depois de examinar o corpo do anão morto, Saren constatou que ele havia sido envenenado e que ele tinha uma marca estranha no braço direito: um quarto de um disco negro com uma flecha fincada nele.

Partiram para investigação na parte baixa da cidade, então.

Lá, as habilidades e o carisma de Ryon mostraram-se muito úteis e eles logo descobriram que o anão era um ex-mineiro que havia entrado para uma gangue chamada de Sol Negro e que alguns integrantes dessa gangue se encontravam toda noite numa casa abandonada na cidade baixa.

O Esgoto
Foram então investigar a tal casa abandonada. Lá, encontraram dois malfeitores e logo deram um jeito neles. Surin se mostrou muito eficiente em combate e muito ágil para os padrões dos anões. Mas dentro daquele lugar também havia estoques de frascos de veneno e um alçapão escondido que levava ao esgoto da cidade.

Dentro dos encanamentos subterrâneos, Surin provou novamente seu valor ao encontrar e conseguir seguir os rastros dos bandidos. Logo chegaram até o provável esconderijo dos ladrões. Depois de exaustivas batalhas, se defrontaram com o embate que decidiria o sucesso daquele dia.

Mas todo o sucesso tem seu preço. Surin e Ryon acabaram por perecer no combate, mas Saren se manteve firme e, com extremas dificuldades conseguiu derrotar o líder daqueles ladrões.

Mais adentro do esconderijo, Saren encontrou aquele que poderia ser o responsável pela fabricação de venenos, mas este logo se rendeu perante a voracidade na expressão da paladina depois de perder seus companheiros.

E o especialista levou Saren para a saída mais próxima e lhe deu importantes informações: havia dois grupos que estavam fora do esconderijo naquele momento, um estava encarregado de assassinar um nobre da cidade e o outro de se encontrar com os líderes de uma nova gangue que estava tentando se instalar na capital.

Condecorações
Voltando ao quartel general da polícia, Saren pode avisar o comandante sobre o que havia ocorrido e a vida do nobre pôde ser salva. E Saren foi aceita como membro honorário da milícia e poderia receber o treinamento na técnica em questão.

Mas Surin e Ryon ainda estavam mortos. E foi com muita alegria que Saren recebeu a notícia de que eles poderiam ser trazidos de volta. Claro que para isso, ela teve que se desfazer do poderoso tapete voador, mas uma troca justa pela vida do bardo.

Naquela noite, os aventureiros finalmente encontraram Kromer, um velho e sábio anão e até simpático para sua raça. O forjador lhes disse que aquele molde só poderia ser usado pelas mãos de Norgar, o Pai dos Anões. Mas o deus não costuma conceder esse tipo de coisa a mortais e, tendo em vista o desempenho de Saren e Ryon naquele dia, ele sugeriu que eles fizessem carreira na milícia a fim de ingressar na Guarda Real e ter uma chance de ao menos pedir a Norgar por ajuda.

Dias depois, Saren, Ryon e Surin foram condecorados pelos seus feitos. A Saren e Ryon foram oferecidos cargos de sargentos da milícia. Era a chance de começar sua carreira na milícia com o pé direito. Aceitaram a proposta.

Sua primeira missão era descobrir mais sobre o tal Sol Negro e sobre essa nova gangue. Havia notícias de que integrantes do Sol Negro haviam sido vistos rumando para o sul.

Visões e Realidade
Em uma noite, Ryon novamente despertou repentinamente de seu sono. Era novamente aquele pedaço de espelho querendo lhe mostrar algo. Dessa vez, ele viu um vulcão prestes a entrar em erupção.

Mas havia algo mais. Não na visão que o espelho mostrava, mas do outro lado do magnífico quarto da casa de Kromer: Vestrom. Ryon imaginou que poderia ser algum truque, mas como o menestrel logo o desmereceu, ele soube que era verdade. Vestrom estava ali dizendo que eles deveriam treinar em segredo todas as noites, para que Vestrom pudesse lhe ensinar algo que lhe ajudaria a defender Saren nas suas próximas aventuras, que estavam apenas começando.

Foi assim então que Ryon aprendeu a sinfonia da batalha e Saren aprendeu a técnica usada pelos Justicars.

Noite Sombria de Pesadelos
Chegou então o dia em que Saren e Ryon deveriam sair da Capital dos Anões e procurar pistas sobre o paradeiro e os objetivos do Sol Negro. Eles partiram. Na viagem, não encontraram problema algum, pelo contrário, as estradas estavam bastante desertas. Isso tinha um motivo: a Noite das Sombras Ambulantes estava chegando.
E finalmente chegara. Não era seguro dormir, e qualquer vulto poderia ser um inimigo formidável e aterrorizante. Sombras, Aparições e outros mórbidos mortos-vivos e seres sombrios atacaram os aventureiros. Mas nada se comparou ao inimigo posterior. Ele era composto inteiramente de sombras e tinha tentáculos malévolos e escuros como uma noite sem lua.
Felizmente, os intrépidos aventureiros conseguiram fugir de seu abraço fatal. Mas as coisas pareciam ficar cada vez piores. Quando uma luz pode ser vista no fim do túnel: uma humano com roupas brancas estava lá. Seu nome era Torvel e seu círculo mágico salvou os aventureiros. Mas este não era suficiente. Algo mais estava ali. Tinham que alcançar a luz do luar para que o ritual fosse mais efetivo.
Correram e chegaram num salão. Uivos podiam ser ouvidos bem de perto. Verificando, os aventureiros encontraram uma cena estranha: lobos negros e sombrios estavam atacando uma espécie de cavalo negro com crina e cascos em chamas. Torvel sabia que aquele era um pesadelo, uma criatura na maioria das vezes maligna. Mas, pelo apelo de Saren, salvaram o ser.
Logo depois, encararam um grande salão que era uma antiga cidade anã em ruínas, mas a saída para a superfície estava próxima. Correram para lá. Mas logo atrás deles, a Escuridão Viva apareceu novamente. Os aventureiros conseguiram encontrar a saída, menos Saren, que teve seu caminho interrompido por causa do monstro. Uma breve luta se iniciou. Mas Saren não teria chance. Mas, neste instante crucial, o pesadelo de anteriormente reapareceu e usou de suas habilidades planares para salvar Saren.
Saindo da caverna, Torvel já tinha o ritual pronto. Eles estavam a salvo. Mas uma cidade de gigantes estava a vista.

O Novo Mal
Decidira ir para a cidade dos Gigantes. Esguereiraram-se pelas grandes ruas e pelas casas enormes.

Andando pela cidade, encontraram uma Taverna, uma que era feita para gente da altura dos aventureiros, mas não parecia muito seguro, então entraram invisíveis. Lá dentro constataram a besteira que fariam se tivessem entrado visíveis: viram uma tropa de anões negros conversando.

Saíram imediatamente para um beco vazio, para a segurança. Ryon então foi investigar naquela taverna estranha. Descobriu que os duergars faziam realmente parte do Sol Negro e que estavam ali para encontrar alguém e que estavam planejando conquistar as ruínas de onde os aventureiros tinham vindo com a ajuda dos gigantes.

Enquanto isso, no beco, Torvel tinha uma visão. Saren, por impulso, tentou ajudá-lo e tocou em seu ombro. Para a surpresa de Súrin, a única presente, ela também pareceu estar num estado de inconsciência. Saren viu um estranho homem em armadura negra com a face velada e olhando para uma bola de cristal.

Quando Ryon voltou, Saren compartilhou sua visão com todos. Decidiram armar uma armadilha para os anões negros. Torvel fez uma ilusão do suposto vilão e atraiu os duergars para o Vulcão, logo acima da cidade. Lá, Súrin fez uma armadilha para que parte dos inimigos fossem jogados dentro da lava. O restante foi preso.

Saindo da caverna que levava ao centro do vulcão, o mesmo homem em negro apareceu. Depois de uma luta árdua, Súrin acabou por perecer e os aventureiros conseguiram fugir. E o vulcão entrou em erupção atrás deles.

Numa caverna segura longe do incidente, Súrin aparece em farrapos. A anã estava num estado de desespero e pediu para que a desmaiassem. Assim foi feito. Dormiram e Saren sonhou com o pesadelo. Este lhe contou que seu nome era Gorëin e que o homem em negro era seu antigo mestre. Gorëin também informou que o inimigo poderia controlar a mente das pessoas e que Súrin estava quase sendo controlada por ele, mas que a anã resistia muito bem. Decidiram, então, sair dali.

A Batalha nas Ruínas Anãs
O caminho mais rápido de volta para o subterrâneo era o meio por onde haviam vindo: pelas ruínas.

Lá chegando, descobriram que estavam sendo esperados. Infelizmente, era pelo mesmo homem em armadura negra. Nesse exato momento, Torvel teve outra visão. Então, o mago pediu para Ryon o seu Espelho Mágico. Tendo esse em mãos, Torvel apontou para o cavaleiro e foi como se as sombras que estavam naquele corpo estivessem se evaporando. O corpo aumentou incrivelmente e, para a quase felicidade dos aventureiros, o homem negro se tornou um gigante. Uma luta se sucedeu e os aventureiros saíram vitoriosos.

Assim, Súrin foi libertada e os aventureiros tiveram de novo um guia para a próxima cidade anã. Chegando lá, eles informaram a milícia do plano dos gigantes e um exército foi reunido para evitar a conquista das Ruínas. Partiram, então, de volta.

No meio da viagem, uma exótica tropa de anões se juntou ao exército: eles vestiam armaduras brancas muito brilhantes e portavam martelos do mesmo material e, assim, como as armaduras, extremamente bem feitos. Era parte do Clã do Martelo Branco.

Uma grandiosa batalha se sucedeu, então, nas Ruínas da antiga cidade. A vitória foi dos anões, mas muitas baixas ocorreram.

A cidade foi, assim, retomada e começou a crescer novamente.

Algumas semanas depois, um mensageiro veio das terras da superfície para avisar a milícia que alguns duergars estavam por lá. Os aventureiros foram, como de costume, mandados investigar e talvez até intervir nos planos dos Anões Negros, se esses pertencessem ao Sol Negro.

Um Fim Branco
A jornada até a cidade de Rio Dourado foi totalmente tranqüila. O mensageiro havia dito que os duergar passaram pela cidade dias antes de estranhos ataques de animais terminarem com a vida de alguns habitantes da cidade.

Depois de investigarem um pouco, descobriram que os anões negros realmente faziam parte do Sol Negro e que estavam planejando tomar para si uma orbe que estaria nos domínios da Floresta dos Picos Brancos, logo ao oeste de Rio Dourado. Os aventureiros, então, presenciaram um ataque de um urso polar e conseguiram salvar a vida de inocentes.

Partindo para a floresta, eles foram novamente atacados por mais animais e seres da floresta. Quando chegaram à montanha para onde os rastros dos duergars levavam, os aventureiros se deram de cara com um lobo falante que dizia ser um espírito da floresta e estava disposto a ajudá-los em sua caçada, já que os bandidos estavam atrás de uma orbe amarelada que era responsável pela estabilização da vida animal e vegetal da floresta e também pelo clima mais ameno, em relação a outros locais nas redondezas.

Subiram a montanha e encontraram uma caverna. Lá encontraram alguns dos anões negros suspeitos e os prenderam. Mas quando chegaram ao compartimento principal da caverna, havia um dragão branco lá. Os aventureiros lutaram com firmeza e coragem, mas não foi suficiente para derrotar os poderes e as garras do poderoso dragão. Todos acabaram por perecer.

Assim terminou tragicamente a busca pelo Coração Fumegante.

Mas não foi assim que terminou a história de Saren Illithiel.

Revelações
Do outro lado do mundo, Saren, Ryon e seus companheiros acordam em um mundo estranho. Tudo a volta parece uma gigantesca sala de espera. Eles estavam no Limbo.

Depois de algum tempo conversando com um Guardião, um ser humanóide totalmente coberto por um manto branco sem um rosto aparente, eles descobriram que havia um meio de sair dali sem o meio normal, por magias de ressurreição. No entanto, o caminho era perigoso. Sendo assim, Saren e Ryon decidiram tentar essa nova alternativa deixando Torvel e Súrin para trás, para caso não conseguissem, o mago e a anã pudessem procurar um meio de trazê-los de volta.

Passaram pela porta. O que vinha depois era ao mesmo tempo estranho e quase enlouquecedor: um corredor de mármore com várias portas simples todas iguais. Ryon se lembrou de histórias, então, que pareciam se encaixar com a vista. Aquele era o Plano das Mil Portas.

Depois de caminhar um pouco, uma menina de cabelos castanhos com olhos de cor esverdeada em um detalhado vestido branco se deparou com eles vindo de uma curva do corredor. A menina chamou por Saren e saiu correndo. Saren, por impulso, correu atrás da garota. Ryon viu sua grande parceira desaparecendo no "horizonte" daquele local estranho antes que se desse conta que não era possível alguém alcançar aquela velocidade a pé.

Uma mão pesada pousou, de repente, nos ombros de Ryon. Era o Mensageiro do Destino, não se poderia esquecer tal semblante, mesmo que quisesse. O Mensageiro levou o bardo até uma porta diferente das outras, ela parecia quase destruída. O Mensageiro pediu que Ryon entrasse que lá encontraria alguém que gostaria de falar com ele.

Imortal
A menina, estranhamente familiar para Saren, levou a paladina até uma das portas e entrou. Seguindo-a, Saren foi parar em uma espécie de ruína subterrânea. Lá estão Vestrom e Tiron combatendo vários diabos. Ao terminar, eles correm em direção a um corpo celestial que parece sem vida.

Vestrom: "Você tem Certeza que é ela?"
Tiron: "Sim, é exatamente como Earel previu."
V:"Mas ela não parece uma Imortal"
T:"Com certeza seus poderes serão recuperados conforme ela cresce. Você deve lembrar que não nascemos assim."
V: "Sim, infelizmente ainda me lembro. Mas sendo ela quem é, achei que seria mais rápido."
T:"Ela escolheu assim. E finalmente, depois de dez mil anos, nós a encontramos novamente. Temos que protegê-la, meu caro."
V:"É para isso que irmãos servem, não? Mas quando você acha que devemos contar a ela tudo isso?"
T:"Nunca. Se ela escolheu o exílio por tanto tempo, acho que quererá começar tudo do início."

Assim termina a visão. A menina que estava ao lado da paladina todo o tempo se transforma em um clone de Saren. Quando perguntada sobre sua identidade, o clone responde: "Eu sou o que você foi, o que você é e o que você será, assim como sou o que você poderia ter sido, o que você poderia ser e o que você poderá ser."

O Clone conta a Saren sobre os Cinco Imortais. Eles eram seres de antes da Primeira Era liderados por ela. Antes da Era dos Deuses começar, Saren decidiu escolher o exílio por causa de uma catástrofe que ela poderia ter evitado, mas escolheu poupar sua vida de seu amor, um guerreiro enganado e seduzido pelo grande Mau.

O Clone diz que Saren não deve ficar ali por mais tempo, pois ela tem algo a fazer e um Dragão a derrotar, pois isso deveria ser feito para que a paladina pudesse voltar a vida. No entanto, Saren estava agora muito mais forte que antes. Seu sangue Imortal começava a despertar.

A Taverna no Fim do Mundo
Atravessando a porta quase destruída, Ryon se depara com uma taverna caindo aos pedaços. Todos lá dentro parecem com expressões indiferentes e cansadas, exceto uma mulher de mantos prateados que senta em uma mesa bem diante dele. Ela é extremamente imponente, mas sua face é cuidadosamente coberta por seu manto.

Quando vai até a mulher, Ryon descobre que aquela é a Senhora dos Destino, a própria Lárin. Ela conta ao bardo que ele está na Taverna do Fim do Mundo assim como seus desejos gostariam, mas que dali a instantes ele deveria tomar uma importante decisão.

A sua frente, estava alguém poderia levar Ryon de volta para seu mundo. Lárin lhe conta que o tempo em sua terra natal passa mais rápido que em Faralchar. Cada ano passado em Faralchar representa 50 anos na terra de Ryon. A Senhora do Destino conta-lhe que seu plano natal está em uma guerra civil que já dura anos. Ela também lhe revela que em qualquer um dos dois mundos, Ryon terá um destino importante, mas que ambas as jornadas serão extremamente difíceis e de conquistas heróicas.

Ao fim da conversa, Lárin indaga se Ryon quer voltar para sua terra natal. Sem muito pensar, o bardo escolhe ficar em Faralchar. Sendo assim, Lárin revela que simpatiza com o destino de Saren e dele e pergunta se o bardo gostaria de receber a bênção da Senhora do Destino. Ryon aceita de bom grado e sente-se diferente, mais sábio.

Mas aquela era a hora de sua partida, porque Saren precisaria dele naquele exato momento. A Senhora do Destino abre um portal para que Ryon possa novamente se reunir a Saren.

Antes de Ryon sair, Lárin entrega a Ryon outro pedaço de espelho que juntado a sua outra parte que o bardo já possuía, funde-se em um objeto maior e provavelmente mais poderoso.

Mesmo Inimigo, Novas Estratégias
Saren e Ryon novamente enfrentam o dragão branco.

A batalha é difícil, como da última vez, mas agora ambos os companheiros estavam mais poderosos e acabam por derrotar o grande dragão. O dragão capturado e o Coração Fumegante.

Na sede da milícia anã mais próxima, Saren e Ryon trazem seus companheiros de volta a vida. Torvel é contatado pela sua ordem e deve partir para investigar algo em conjunto com a milícia anã.

Um mensageiro chega à cidade com notícias importantes: um membro do Sol Negro foi capturado e interrogado soltando informações sobre uma suposta reunião de líderes do Sol Negro em um quartel general da organização. Além disso, parece que o Sol Negro está reunindo artefatos para trocar com alguém. Este alguém aparenta ser conhecido como Temak.

A mensagem vem do reino de Elnorin que é a terra natal de Súrin. O grupo de Saren é enviado para lá para falar com um nobre chamado Olein, nas terras de quem vai ser feita a reunião. Finalmente, Saren poderá descobrir mais sobre seu poderoso e sombrio inimigo. No entanto, Súrin parece preocupada com algo. A Anã saiu de suas terras devido a uma briga com seu pai. Quando o grupo de heróis chega aos portões da capital de Elnorin, Súrin se recusa a entrar.

Eclipse Prateado
Adentrando a capital do Reino de Elnorin, os aventureiros instalam-se numa estalagem chamada Leão Dourado. Depois de investigações superficiais, Ryon descobre a localização da residência do nobre chamado Olein. No entanto, Ryon também é avisado de que existe um rumor de que Olein seja um Duergar disfarçado, fato esse que é confirmado pelo poder do Espelho. Também descobrem que Temak chegará a poucos dias e decidem usar o tempo que lhes resta para se preparar para um eventual encontro.

Saren e Ryon contatam o Rei de Elnorin depois de certa burocracia. Na audiência com ele, eles recebem a ajuda que o rei poderia oferecer, afinal seria muito arriscado acusar um nobre sem provas concretas. O Rei dá aos aventureiros alguns itens que lhe poderiam ser úteis, inclusive uma pequena pedra parecida com a que Elver lhes dera meses atrás. Mas outra coisa surpreendente e muito interessante é que eles acabam por descobrir que o Rei é o pai de Súrin com quem a anão não está se entendendo muito bem. O Rei conta sobre a saudade de sua filha e pede para que Saren lhe ajude no assunto.

Procurando por Súrin nos arredores da cidade, eles descobrem um monastério anão. Lá eles ficam sabendo que o Mestre do lugar fora raptado por um estudante que se entregou para as trevas e aparentemente estava trabalhando para Temak. Eles acabam encontrando Súrin, mas não conseguem convencer a anã a voltar com eles.

Chega o dia tão ansiado. Temak chega a uma carruagem muito cara acompanhado de seguranças e, como os novos dons de Ryon revelaram, acompanhado do suposto discípulo traidor e de um drow. Os aventureiros fazem tocaia na casa de Olein. Temak vai até lá com seus homens, mas a carruagem vai embora e passam-se horas sem que ninguém saísse dali. Ryon usa novamente seus poderes e pega os vilões justamente na hora em que alguém estava conjurando uma magia e eles simplesmente somem, teleportados.

Confronto
Mas Ryon sabia que Olein tinha uma pequena fortaleza nos arredores da cidade. Decidiram rumar para lá para investigar.

No meio do caminho, foram interceptados pelo drow que acompanhava Temak horas atrás. O drow estava sozinho e se mostrou hostil. A batalha foi difícil, os poderes mágicos do drow tornaram as coisas muito piores. O elfo negro se usou de vários truques de magia negra para terminar com a vida de Saren e Ryon. Saren quase é destruída pelo poderio do drow, mas quando as coisas pareciam perdidas, um brilho prateado surge atrás do drow e um barulho de metal quebrando osso é ouvido.

O machado acertou em cheio a cabeça do drow que não pode resistir ao golpe mortal e pereceu. Felizmente, quem havia desferido o golpe era Súrin, agora vestida em uma armadura prateada com adornos dourados. A anã havia se reconciliado com seu pai e este lhe dera de presente os equipamentos de sua família provindo da guerra contra os gigantes muitos milênios antes. Mas o equipamento estava conservado como se fosse novo.

Reunidos de novo com Súrin, Saren e Ryon finalmente chegaram à fortaleza de Olein. Lá, encontraram mais resistência que fora superada heroicamente. Também acabaram por encontrar o Mestre do monastério que havia sido raptado. Tiveram o prazer de ver o grande monge derrotar seu discípulo em um duelo mortal. Acharam Olein e o acorrentaram para futuro interrogatório. No topo da torre local, encontraram Temak que estava esperando por eles. O inimigo era extremamente forte, mas foi nesse momento que Ryon apontou o espelho na direção dele. O espelho refletiu a antiga paixão de Saren que desabou em pranto. Mas logo seu Espírito, ela mesmo em todo seu potencial, despertou por um instante para evitar que Temak machucasse alguém.

No final, Olein foi preso. Mas não conseguiram evitar a transação deste com Temak e o inimigo tinha o artefato que queria por motivos ainda obscuros.

Rituais e Torneios
Ryon e Saren passaram mais algumas semanas no Leão Dourado, mas agora como convidados do Rei.

Nesse tempo, Torvel voltara de suas pesquisas com uma suposição de porque Temak estava tentando tomar para si artefatos de pouco poder. Existe um ritual que poderia ser feito para extrair o poder de artefatos e transferi-los para o conjurador do ritual. Com a quantidade de artefatos que Temak havia conseguido, segundo os dados da milícia, ele poderia realizar o ritual para duplicar seus poderes mágicos além de poder utilizar esse pode para realizar outros rituais praticamente impossível para a maioria dos mortais e até imortais.

O mago também teve notícia que existia mais um artefato que poderia estar na lista de interesse do inimigo. Esse artefato estava nas ruínas de uma antiga forja anã que poderia ser encontrada a alguns feudos dali. E para lá foram os aventureiros. Lá chegando acabaram por ter uma surpresa boa: alguém havia chegado antes deles, este alguém era Téranon, o Grande Aprendiz. O Mago levou os heróis para seus aposentos e lá lhes entregou o tal artefato. Era mais uma daquelas pedras parecidas com a dada por Elver, esta tinha o poder do fogo.

Mas Temak não estava lá. Então, voltaram para a capital de Elnorin.

Naquela época do ano estava acontecendo o Torneio Regional de Lutas. Saren, Súrin e Ryon participaram do torneio e depois de várias batalhas contra inimigos formidáveis, Saren acabou por sair heroicamente vitoriosa. Ela fora então convocada para o Torneio Nacional. Se vencesse este, o prêmio era um presente pedido para o próprio Norgar. Saren poderia então finalmente terminar a forja da arma cuja forma lhe havia sido entregada pelo próprio Askardin.

Mas havia algo importante a ser feito antes. Com a ajuda de Téranon, Torvel conseguiu calcular um local propício para a realização do ritual de absorção. Para lá foram, então, os destemidos heróis, acompanhados de sua líder Imortal.

O Cavaleiro e a Mentira
A jornada até a cidade de Laurens foi providenciada magicamente por um dos aliados de Torvel. Lá, os aventureiros se depararam com a sua fama. Várias crianças circundavam Saren idolatrando sua heroína. Além disso, um mercador chamado Ortar, que começou a fazer comércio na antiga cidade em ruínas que Saren ajudou a reconquistar, ofereceu sua própria casa de estadia para os heróis.

Ryon saiu, no dia seguinte, para procurar informações enquanto seus companheiros ficaram em uma taverna próxima. Foi nesse dia que Saren percebeu que sua fama atrairia mais do que simplesmente crianças inocentes e esperançosas. Um elfo azul chamado Darzul soube de sua história e da vitória no Torneio regional em Elnorin e veio para averiguar quem era o melhor com a espada. A batalha foi muito dura, mas Darzul percebeu que sua inimiga era muito dependente de seus poderes místicos e não quis mais lutar. Mas tal rivalidade será, espera ele, decidida durante o Torneio Real.

Ryon descobre algumas informações sobre o Sol Negro, principalmente que eles poderiam estar para o monte Ikjhal e que cinco duergars ainda estavam nas redondezas. Dias depois, uma sensação estranha causou arrepios em todos os aventureiros. O Ritual começara.

Eles subiram o monte Ikjahl e encontraram-se com um pilar de luz e vários círculos ritualísticos. No meio destes Temak os esperava, mas tudo era uma farsa: aquilo era somente uma distração para que o verdadeiro ritual fosse ocultado e uma prova para a imortalidade de Saren. Temak estava possuindo o drow que perecera pelas mãos de Súrin anteriormente. Uma dura batalha se sucedeu, mas os heróis saíram vitoriosos. E a Imortalidade de Saren ainda intacta.

Com o corpo do drow, havia uma carta de alguém que parecia ser o comandante do Sol Negro, Youltar. Torvel diz que é possível saber por onde tal objeto esteve e, assim, o quartel general do Sol Negro. Era finalmente a hora de destruir a organização. Principalmente porque Temak está mais poderoso do que nunca.

Sol Negro Poente
Finalmente chegara a hora do confronto final com o Sol Negro. Mas antes era necessária toda a ajuda possível. O chefe da Milícia Anã enviou a sua ajuda. Seu nome era Kard e ele tinha uma reputação razoável. Dizia-se que ele era um mestre do disfarce e da enganação além de ser um ótimo explorador de cavernas. A Ordem de Torvel conseguiu definir a posição de Youltar a partir da carta dele que os aventureiros encontraram. Era na antiga Terra dos Gigantes, agora apenas uma sombra de épocas mais prósperas.

Os aventureiros foram transportados magicamente para uma montanha perto do local onde deveria ser o quartel general da organização. De lá eles puderam ver seu objetivo: um castelo gigantesco cravado na pedra. Os olhos atentos de Kard indicaram que a melhor entrada seria pelas torres mais altas, que eram mais difíceis de ser vigiadas, pois a entrada principal era guardada por vários gigantes.

E lá foram os heróis. Mas logo que adentraram a fortaleza, Ryon percebeu que o espelho místico aparentava estar dando mais uma dica: ele viu o caminho no castelo até uma prisão, onde estava uma mulher deitada aparentemente morrendo. Guiados pela generosidade, os aventureiros seguiram o espelho, derrotaram os guardiões gigantes da prisão e salvaram a vestal, Armíndel. A mulher, agradecida, oferece seus serviços de cura para auxiliar os personagens. Novamente, o espelho mostra o futuro: desta vez, ele revela a localização de um laboratório alquímico que é gerenciado por três criaturas com corpo humanóide mas com características de tigre.

Novamente, os aventureiros seguem a informação mágica e encontram o laboratório. Mas seus oponentes são meros humanos. Bem, não depois de mortos. Derrotados a criaturas, o espelho mostra agora o caminho para o Salão Principal. A batalha final estava próxima.
Descendo a imensidão das escadas da fortaleza gigante, os aventureiros ouvem o que parece ser o som de uma batalha logo atrás das paredes de metal. Era uma distração perfeita se eles não precisassem entrar na luta. E foi o que aconteceu. Abrindo a porta do grande salão, os aventureiros encontraram Youltar, o líder da organização Sol Negro, um gigante das tempestades.

A batalha foi imensamente ardida, Youltar tinha itens amaldiçoados junto de si. Saren pereceu diante de sua espada com olhos. Mas a batalha não tinha se acabado para ela. Pelo contrário. Saren finalmente apresentara a prova viva de sua imortalidade, voltando dos mortos preparada para uma dura batalha. E foi ela mesma que derrotou Youltar.

Logo depois da batalha, os sons da batalha de antes se esclareceram. Eram os Cavaleiros da Noite, eles haviam vindo em auxílio. E logo foram embora, deixando apenas a memória do encontro para Saren e Ryon.

Finalmente acabara. Com seu líder derrotado, o Sol Negro logo pereceria pela desorganização. E assim foi a Morte da Estrela Negra.

A Final do Torneio
Com seu objetivo conquistado, Saren foi de mente limpa para o Torneio Real. No entanto, ela não teve tanta sorte e na semifinal ela fora derrotada por um anão que usava dois escudos. E este fora derrotado por Darzul, o campeão.

No meio tempo do torneio, Ryon percebera que o molde da espada e seu espelho místico haviam desaparecido. Procurando por respostas com Kromer. O anão disse que poderia ter sido Earel um rival seu na arte da forjaria e antigo amigo de Saren. Mas quando o bardo foi consultar o elfo imortal, ele sugeriu que o molde poderia ter sido roubado pelo próprio Norgar. Mas ainda faltava o espelho. Vasculhando os becos mais sombrios da capital anã, Ryon encontrou um garoto por acaso que estava com o espelho em mãos. E o garoto o levou para encrenca, mais exatamente um grupo de ladinos. Derrotados os ladinos, o garoto se mostrou como o Mensageiro do Destino e que tudo aquilo não passava de um teste.

Agradecimento Divino
O Salão de Norgar é esplêndido, nunca em suas histórias os aventureiros viram uma arquitetura tão fantástica; os traços simples e angulares contrastam com os enfeites incrustados com os mais variados tipos de pedras preciosas. O Salão é grande o suficiente para acomodar mais de cinco mil pessoas, mas os aventureiros e seus convidados têm um local privilegiado no centro do salão, ao lado da mesa do próprio Norgar. O Pai dos Anões não aparece na festa até que seja anunciado o jantar, quando ele é anunciado ao som de trompetes que ecoam por toda a sala. Norgar é um anão de estatura comum, seus olhos são dourados e veste uma armadura de batalha dourada muito adornada mas sem elmo. Ele carrega uma coroa sobre a cabeça feita de diamante negro e incrustada de rubis, um tanto simples para a autoridade de quem a usa. O deus não é muito de falar, mas cumprimenta os aventureiros com o olhar. Assim que todos estão satisfeitos, Norgar faz um pequeno discurso de agradecimento pela ajuda na ameaça oculta que era a Organização do Sol Negro. Nesse mesmo momento, Norgar parabeniza Saren se ela tiver ganhado o Torneio Real.

Norgar, então, pede para que os aventureiros formem uma fila a sua frente e que se ajoelhem. O Pai dos anões então se curva diante de cada um e os nomeia Guarda Reais do Reino dos Anões e lhes diz que podem pedir o presente que desejarem pois ele será lhes dado. Finalmente a Lâmina da Redenção é entregue a Saren com o devido ritual.

“A segunda arma mais poderosa já forjada em toda a história de Faralchar. Ela é uma Espada Larga de Diamante Negro com o cabo adornado com prata e finas pedras preciosas de maneira simples (não muito chamativa pelas pedras, mas sim por suas estruturas). Os Entalhes são simples e por isso mesmo chamativos. A empunhadura é feita de um couro especial, cuidadosamente tingido de branco. O final da empunhadura, é um rubi negro (um rubi de um vermelho muito escuro). Em sua lâmina existem três perfurações ovaladas para se colocar as esferas elementais.

Os poderes da Lâmina da Redenção são indescritíveis e nunca se pode testar o limite de tal arma. Sabe-se que com o auxílio das esferas elementais, a Lâmina adquire poderes diversos dependendo de cada esfera e da combinação delas.

Mas também se deve saber que a Lâmina da Redenção também é uma arma perigosa pois ela tem consciência própria e subjugará a alma de todos aqueles que ela considerar indignos de seus poderes. Só uma alma transcendental poderia empunhá-la e ainda assim tomando o devido respeito e cuidado.

A Lâmina deve ser usada, sempre, para grandes feitos, usar seus imensos poderes para ocasiões fúteis ou desnecessárias é um erro que seu portador pode não ter a chance de correr de novo.”

Para Ryon, Norgar entrega um pacote especial: uma espada falante. Sua lenda será conhecida por vários milênios.

Despedida
E seu trabalho estava feito. Mas Saren e Ryon tinham mais uma aventura adiante, pois Earel, o primeiro dos Imortais tinha muito que falar com Saren e ele estava na Terra dos Elfos. Então a próxima aventura dos dois inseparáveis aventureiros era chegar até a companhia do grande elfo. Mas este fez a exigência que a viagem deveria ser feita da maneira tradicional: um ano de viagem de barco.

Então Saren e Ryon se despediram dos importantes amigos que fizeram ali: Súrin, Torvel, Kard e Armíndel. Todos eles não seriam esquecidos e alguns até poderiam ser necessários em histórias futuras.

[Aventura5] Florescer Imortal

Durante a travessia do mar, algo estranho ocorre durante uma forte tempestade. Os ventos parecem vozes na imensidão vazia do oceano. Como se exigissem algo, os raios se aproximam cada vez mais da embarcação solitária. Saren é atraída para a proa do navio, algo a chama. “Illithiel”, clamam os trovões e continuam “dê-me o destruidor dos mares e sua embarcação sairá intacta”.

Aquilo era um espírito dos Mares que tinha a forma de uma baleia. Ele explicou que naquela embarcação existia um humano caçador de suas irmãs e exigiu que Saren lhe desse o caçador em troca de deixar o navio e todos dentro dele salvos de um maremoto que ele mesmo iria criar. Depois de pensar bem, Saren e Ryon entregam o caçador para o espírito salvando o barco. Entretanto, o espírito entrega para Saren um presente de cortesia: uma pedra mágica azul que tinha os poderes do oceano.

A viagem mal tinha começado e haveriam paradas no Território de Askardin, no Território de Arfnech e no território de Valmer. Era uma promessa de muitas aventuras adiante.

Falsa Imortal?
A parada foi no território de Askardin. Tudo ia bem, até que Ryon encontrou com uma mulher que se parecia muito com Saren. E daí em diante tudo começou a cair em uma trama caótica e confusa. Ryon seguiu a sósia de sua companheira e descobriu que ele próprio tinha um sósia. Mas, mesmo protegido por uma magia de invisibilidade, ele fora descoberto e teve que correr dali.

Saren recebeu uma mensagem para que ela se encontrassem com um servo de Askardin poderoso que queria lhe falar. Indo para o local indicado na mensagem, ela encontra Ryon que a põe a par da situação. Eles vão juntos para o local do encontro que, por acaso, era a mesma taverna em que Ryon encontrou os farsantes. Lá eles perceberam que os sósias tinham chegado primeiro e tinham…capangas. Entretanto, o clérigo Taryon reconheceu a verdadeira Saren assim que pôde ver a Lâmina da Redenção.

A batalha daí em diante foi razoavelmente segura. Taryon era um mestre do combate, honrando seu posto de seguidor de Askardin. O clérigo, então, se junta a Saren, jurando sevi-la enquanto estivesse no território do Deus da Guerra.

A próxima parada era mais ao sul, mas ainda no Território de Askardin. Os aventureiros encontraram uma cidade semi deserta e descobriram que isso era por causa de uma competição de caça que era realizada dentro dos limites da própria cidade. E a insanidade estava apenas começando.

De repente, os aventureiros se viram no meio da caçada. Quatro caçadores caçavam uma criatura meio-homem meio leão e os aventureiros foram sadicamente envolvidos na caça. Os aventureiros derrotaram os caçadores e o organizador do torneio apareceu, já atacando os personagens. Sua insanidade era perceptível e sua magia quase sobrepujou os aventureiros e essa foi a primeira vez que Saren sacou a Lâmina da Redenção que não apenas decepou seu adversário mas também quase destruíra o braço. Havia muito poder naquela arma.

O licantropo era Icthiel. Ele fora capturado em Ashturen e aceitou viajar com os aventureiros de volta para lá.

Ali, Taryon deixou os aventureiros, que rumaram para o Território de Arfnech.

No entanto, o próprio Senhor da Magia Negra não permitiu que Saren aportasse em suas terras, mas também não foi mais hostil que isso. O deus forneceu até os suprimentos necessários para se continuar a viagem. Talvez a presença de uma Imortal em suas terras não lhe era interessante porque poderia trazer para seu povo algo que seria insuportável para ele: esperança. Mesmo jurando que não entrariam em terra, vários mortos-vivos acompanharam a navegação do barco para além do território negro.

O próximo porto, então ficava no território de Valmer.

Lá, os aventureiros tiveram que passar um mês inteiro devido a consertos que eram necessários antes que o navio estivesse pronto para viajem em alto mar novamente. Durante um dia na taverna, os aventureiros escutam uma espécie de criatura gigantesca causando destruição. E logo após, adentra a taverna um homem com uma sacola presa ao corpo. Aparentemente o monstro metálico em forma de aranha estava atrás daquele homem. Saren e seus companheiros ajudam o homem, derrotando o monstros.

Aquele homem se mostra um criativo alquimista, ele trabalhava para um lorde demônio que dominava aquelas terras. O demônio exigia que o alquimista trabalhasse para ele construindo artefatos bélicos. Os heróis decidiram que esse lorde tinha passado dos limites e deveria ser interrompido. Partiram, então, junto do alquimista para a fortaleza do lorde.

No caminho eles foram atacados por mais demônios, mas sua determinação não se abalara. A batalha na fortaleza, entretanto, foi bem difícil e complicada. No final das contas, o poder dos heróis sobrepujou os seres do inferno. E, para a agradável surpresa do grupo, entre os espólios do combate, havia mais uma pedra mágica, dessa vez negra.

Com o alquimista livre e o lorde demônio morto, os aventureiros continuaram sua viajem.

Já era possível ver a terra dos elfos quando um estrondo gigantesco veio da popa do navio e este começou a afundar. Tudo virou caos. Saren escapou com as habilidades de Gohrein, Ryon teleportou-se para a praia e Icthiel conseguiu se safar devido à imensa força física de sua forma híbrida. Algo havia destruído o barco e Ryon estava curioso para descobrir o que era. Então Saren concordou em examinar os destroços através do plano etéreo com a ajuda de Gohrein. Lá ela encontrou uma imensa bola de metal brilhante e maciça. Não havia indício do que acontecera. Então eles decidiram seguir a diante, desta vez a pé pela floresta.

Mas suas esperanças de que a floresta não apresentassem perigos muito grandes se esvaíram quando se viram dentro de um território de plantas vivas e violentas. Eles abriram seu caminho até encontrar o que parecia ser o dono da área e o causador dos ataques: um tendrículo, uma planta gigantesca com uma boca bem grande para engolir suas presas além de tentáculos feitos de relva. A batalha seria uma tragédia se não fosse pela Lâmina da Redenção que novamente mostrou seus poderes e as conseqüências de ser usada. Ao abrir o monstro, os aventureiros encontraram uma drow ainda viva que havia sido engolida momentos antes da batalha. Ela se chamava Kara e se ofereceu para levar magicamente os personagens para a capital élfica da época, Valkiest.

A cidade era imensa e sua arquitetura era esplêndida, muito diferente dos ângulos anões, os elfos gostavam de muitos e refinados detalhes em suas construções. Mas o problema ainda não tinha acabado. Os aventureiros decidiram passar algum tempo na cidade para descansar do difícil combate e treinar suas habilidades.

Foi ali, após o treinamento, que os personagens foram surpreendidos pela milícia local acusando-os de roubo. Kara não pareceu muito surpresa, como Saren percebeu. A drow havia trazido problemas para os três aventureiros, pois ela tinha roubado alguém importante. Entretanto, os personagens não se entregaram e saíram da cidade abrindo um caminho em meio a elfos nocauteados.

Fora da cidade, os aventureiros foram seguidos por mercenários. Mas existia entre eles um caçador muito bom. E, além disso, ele parecia ser atormentado por espíritos malignos que ficavam a mostra para todos que agüentassem a vista. E os quatro aventureiros foram derrotados.

Eles acordaram com uma cabeça doendo e presos em uma cela dentro do que parecia ser uma masmorra. A mais bela masmorra que eles poderiam ter visto. E seu anfitrião logo chegara para informar que gostaria de ter seus pertences devolvidos. Mas Kara já havia se desfeito deles há algum tempo o que deixou o mago muito descontente. Ele saiu da sala.

Em outra ocasião, mais adiante, uma sombra veio para ajudar os personagens. Era um amigo de Kara, contratado pelo mesmo comprador do item roubado. Ele libertou os personagens da cela, mas quando eles estavam na sala onde estavam seus itens. O mago os surpreendeu, matou o drow salvador, assim como Saren.

Por estratégia, Saren esperou para voltar e, nessa ocasião, ela estava fora da cela, uma ótima oportunidade para libertar seus aliados. Mas, novamente, o mago a surpreendeu e ficou espantado ao notar sua Imortalidade. Ele pediu desculpas pelo que tinha feito e ajudou Saren e seus companheiros, dando-lhes, inclusive, uma pedra mágica feita de diamante.

Kara foi convidada a ficar com o mago para que o auxiliasse com a segurança de sua mansão. E os outros três heróis partiram para onde deveria ser a vila de Icthiel.

A Maldição e a Bruxa
Já se havia passado duas semanas de viagem, quando Icthiel confessou que eles deveriam estar perto de seu destino. Mas algo os seguira. Era Temak, que havia tomado o corpo do caçador assombrado pelos maus espíritos. Com um gesto suave, Icthiel estava morto, Saren entrara em um coma estranho e, estranhamente, Ryon não fora afetado. Temak ficou surpreso, o que deu tempo para a alma do caçador lutar contra seu dominador e para Ryon fugir dali com seus amigos.

E Ryon correu até a aldeia de Icthiel, uma aldeia completamente formada por Licantropos como ele viria a perceber logo após o chefe da aldeia aparecer diante dele, e expulsar Temak invocando os poderes de Arkfalas. O velho shamã que também assumia a forma de um leão albino amparou Ryon, mas impediu que seu filho partisse com ele. Ryon foi informado que existia uma bruxa perto que poderia retirar Saren de seu estado catatônico.

Ryon fora até o local indicado pelo shamã e encontrou a bruxa que exigiu um presente apenas para que ela conversasse com ele. Ryon fez sua oferenda e a bruxa veio até ele. Ela era uma criatura muito estranha, era humanóide, mas andava curvada e dando pequenos saltos de lugar para outro. Ela sempre ria quando falava de coisas que os mortais considerariam tristes. E foi ela que explicou de Saren poderia ser salva através de um ritual, mas que este exigiria a vida de uma pessoa inocente. O bardo prontamente se ofereceu como sacrifício e a bruxa soltou uma de suas risadas malévolas. O ritual seria feito na próxima noite.

O Ritual e a Profecia
Tudo estava pronto para o Ritual, mas antes que Ryon pudesse se entregar a morte, Earel veio em seu auxílio e exigiu que a bruxa, agora impotente diante do poder do elfo, usasse a vida dele próprio. Mas Earel era imortal, então nada foi perdido. Com Saren recuperada, o elfo guiou os aventureiros até sua casa, com seu cavalo mais rápido que vento. No caminho ele explicou que Saren precisaria passar por uma iniciação para que seus verdadeiros poderes se aflorassem, ela precisava ser morta por outro grande Imortal. Da primeira vez, fora o próprio Earel que o fizera, mas não seria ele desta. O elfo também explicou que, o ritual de Temak atacava os espíritos das pessoas e, como Ryon não era de Faralchar, ele não tinha um espírito guia, tornando-o imune. O elfo também explicou um pouco sobre os Imortais.

Existem alguns tipos de imortais. Os que importam para o conhecimento dos heróis são os Grandes Imortais e os Meio-Imortais, que podem voltar da morte, mas o motivo não é conhecido. Mas existe uma teoria que diz que os dois tipos têm vários espíritos guias dentro de seus corpos e a cada vez que morrem, um espírito guia se esvai. Os meio-imortais têm um número variado mais finito de espíritos. Os Grandes Imortais são apenas cinco e eles nunca morreram, por mais que seus corpos fossem destruídos.

Earel também contou sobre a profecia que havia deixado Tiron louco. Ela diz que ele estava fadado a matar seu próprio filho e que este nunca mais retornaria para os braços do pai. Então, Tiron estava fadado a matar Saren.

Florescer Imortal
Chegando à casa de Earel, os aventureiros conheceram Kyon, um aprendiz de Earel e meio-imortal. Ele era um valoroso guerreiro, mas era novo em relação aos imortais. Lá Saren treinou com o Primeiro Mortal Earel.

Mas o destino não foi carinhoso com a Paladina e pouco tempo depois, Tiron apareceu. Ele agora estava completamente tomado pela loucura e ávido para terminar a profecia, ele só queria que tudo aquilo acabasse. E Saren o enfrentou. Enfrentar seu pai foi extremamente difícil, não só psicologicamente, pois Tiron era o mais habilidoso em combate de todos os imortais, sempre o fora. Ele tinha uma arma mágica das mais poderosas, ela podia se transformar em qualquer arma, era a Lâmina das Mil Faces. Uma dessas faces era preocupante: a Cauda do Dragão, uma clava gigantesca. Apenas Tiron podia usá-la e ele não facilitou no combate contra sua filha de criação.

E o destino foi cumprido. Como era de se esperar, Saren fora subjugada pelo poder bélico de Tiron. Mas algo estava errado, Saren voltara. Agora com os seus verdadeiros poderes de Imortal. Entretanto, a profecia se cumpriu. Kyon estava escondido atrás de uma das pilastras, assistindo a luta, que fora destruída pela Cauda do Dragão. A pilastra caíra em cima do homem e Earel finalmente anunciou que Kyon era o filho que Tiron nunca conhecera. E Tiron chorou.

Saren estava mais viva do que nunca.

Dias depois, Earel veio até a Imortal e lhe confidenciou que Temak estava querendo libertar algo de Ashel e que era a chance de pegá-lo. Noites antes, Ryon sonhou com a Caverna no Fim do Mundo, um sonho vivo, na verdade. Lá ele encontrou Lárin, a Senhora do Destino. Ela lhe disse que algo muito ruim estava para acontecer, e que seria apenas um começo. E Ryon não se esqueceria das palavras da deusa quando esta saiu: "Vocês vão se encontrar de novo"

A Volta e o Esquecimento
E lá se foram os heróis inseparáveis para a Grande Prisão, Ashel. Logo de cara eles encontraram vestígios de Temak, uma explosão na verdade.

Magicamente se teleportaram para o local que parecia ser uma cela. Estava praticamente destruída. No pedaço de parede ainda intacto, Ryon pode perceber que existia um pedaço de espelho que, para a sua surpresa, era parte do espelho místico.

E logo ele apareceu. Temak. Dessa vez ele estava em seu próprio corpo e ele carregava uma espada longa de diamante negro em sua mão esquerda e uma espécie de molde quebrado na mão direita. Sua armadura era negra como sempre. Mas seu rosto era humano e continha uma expressão de contentação.

Ele rapidamente lançou o objeto em sua mão direita na direção de Ryon que, por um ato reflexo, tomou o objeto em suas mãos. Logo ele amaldiçoaria seus próprios reflexos. Pois o molde possuía outra parte do espelho místico aparentemente a última. E os fragmentos de espelho que estavam com o bardo viajaram misticamente para o molde. Depois, uma explosão de luz. Depois Ryon havia desaparecido. O bardo havia voltado para seu mundo natal.

Tomada pelo ódio, Saren ataca o inimigo com todas as suas forças. E a Lâmina da Redenção reage aos seus sentimentos, dando-lhe poder total. Entretanto, a luta ainda estava empatada. Temak sorria. Mas não por muito tempo. O inimigo poderoso sobrepujou a empunhadura de Saren e tomou a Lâmina da Redenção em suas próprias mãos. Um pulso de energia negra partiu da espada, levando os lutadores para o que parecia ser uma dimensão de vazio. O braço de Temak havia sido destruído e logo depois o seu corpo. Por meio de outro pulso, Saren estava em um deserto. Uma voz ecoou em sua mente: "Para você, o Esquecimento." Era noite. Seus poderes de serviçal de Askardin haviam desaparecido, assim como a Lâmina da Redenção. Ela andou, mas o dia não clareou e suas forças acabaram. Antes de desfalecer, ela pôde ver uma figura vestida em um manto negro caminhando em sua direção.

[Aventura6] Luz na Escuridão

Quando eu a encontrei, ela estava quase morta. E o simples fato de ela estar viva já foi um milagre: seu corpo estava coberto por uma centena de quilos de areia negra do deserto de Sarrac, indicando que ela deveria estar ali por pelo menos uma semana desmaiada. Ninguém sobreviveria a isso, mas aquela jovem humana de algum modo sobreviveu. Eu só a encontrei porque vi sua mão saindo da areia. Imaginei que fosse mais uma vítima dos Guardiões, mas não haviam sinais de luta em seu corpo. Ela vestia uma armadura negra de adamante, mas nenhuma arma; entre seus outros pertences: algemas e um símbolo de Askardin. Muito incomum. Em Tenebra, não é permitida a adoração de outros deuses senão a Senhora das Sombras. Admiti que existisse uma grande possibilidade de que ela não tinha vindo para essa Ilha Maldita pelo oceano, senão ela teria deixado o símbolo do deus da guerra para trás.

Aquela garota só me traria problemas. Eu me levantei, sem pegar nenhum de seus itens, e me voltei para o deserto. Já tinha perdido a noção de quanto tempo eu perambulava por ele. Eu andei por cem metros, mas aquela garota inundou meus pensamentos. Eu com certeza não sou o mais insensível do Povo Sombrio, mas tampouco já me importei com alguém que colocaria o exército no meu encalço. Mas aquela mulher, tinha algo de especial que a rondava. Não, não era sua beleza, era algo muito mais poderoso e antigo. Mesmo ela aparentando jovem mesmo para os humanos, algo me dizia que ela vivera por muito mais tempo que aparentava.

Eu voltei. E minha ação traria caçadores para meu rastro, mas um a mais não iria importar tanto assim. Eu a carreguei até o final do deserto. Tratei de sua sede e de sua fome com um ensopado de escorpiões e outros insetos do deserto, mas em nenhum momento ela recuperou a consciência. Eu a carreguei por algumas semanas até chegarmos à floresta de Yun. Eu poderia parar em uma cidade para comprar uma carroça e me poupar tempo e esforço, mas isso poderia parecer suspeito.
Encontrei um casebre abandonado na floresta. Tive de consertar a cama, pois a palha já havia sido comida por algum roedor, usei as folhas negras e oleosas para fazer uma nova. Eu já estava cansado de uma dieta de ensopados e comidas líquidas, mas isso era a única coisa que a garota poderia comer em seu estado semi-vegetativo. Passamos alguns dias na caverna e sua vida ainda parecia em perigo. Não seu corpo, que já havia se recuperado, e bem demais para um humano, mas alguma coisa me dizia que ela ainda estava em perigo.

Durante todas as noites no casebre eu tive pesadelos horríveis. Da primeira vez, achei que fosse meu passado me atormentando, mas foi quando eu percebi que não era isso. Havia um vulto nos vigiando e no limite da consciência eu podia vê-lo. Aquele vulto não era um morto ou morto-vivo, eu sabia disso claramente. E eu também sabia que ele não estava me assombrando, ele estava assombrando a garota.

Ela começou a falar durante o sono no terceiro dia na floresta Yun. Algo sobre um tal "Ryon" e um "Temak". Nada fazia sentido pois em nenhum momento nossas "conversas" seguiram um ritmo cronológico. Mas o que pude perceber é que ela gostava muito do tal Ryon e ele tinha morrido, ou "desaparecido", e tudo por causa do tal Temak. Comecei a me perguntar se não seria esse tal Temak o vulto que a estava assombrando.

Depois de duas semanas no casebre, eu pude ver o vulto. Não pelo canto dos olhos ou prestes a dormir como antes, mas eu realmente vi e ouvi algo se movimentando lá fora. Imediatamente peguei minha faca e fui verificar. Quando eu chegava perto da porta para sair, a mulher arfou como se estivesse morrendo afogada, seus olhos ainda fechados. Eu corri até ela, estava ardendo em febre. Eu molhei um pano com a água do cantil e coloquei sobre sua testa. O vulto, até então esquecido, voltou a mostrar sinais de vida lá fora, mais perto dessa vez. E então aconteceu: os dois grandes olhos azuis da mulher misteriosa finalmente se abriram.

A Garota Aleijada
A sombra estava na porta quando a vi. Era alguém, ou alguma coisa pois parecia flutuar na noite eterna, coberto por um manto negro e capuz. Enquanto se movia, um som de metal raspando em metal chegou sorrateiro aos meus ouvidos. Ordenei que a garota ficasse ali, mas não tenho certeza que ela poderia me ouvir em seu estado deplorável. Saí o mais rápido que pude, mas não foi o suficiente, o vulto movia-se mais rápido que qualquer sombra normal e não pude alcançá-lo nem magicamente. Quando tentei sentir sua presença mística, só pude sentir algo estranho, totalmente maligno. Uma sensação que nem a presença da Senhora das Sombras me causara.

Quando voltei à cabana, a moça estava no chão. Suas pernas não se mexiam e ela estava um tanto confusa. Seu nome é Saren, segundo ela me disse. Era uma paladina, mas não sobrava uma pitada sequer de seus poderes. Mas ela não soube me dizer como pode ofender seu deus para que este a chutasse. Apiedei-me da pobre garota, por mais que isso me soe estranho. Em todos os meus séculos de vida, sempre tive mais cuidado do que compaixão, mas por algum motivo estranho tive uma iluminação que me dizia para ajudá-la. Mais tarde, agradeci-me por este surto de altruísmo.

Contei para ela sobre as águas sagradas do Monte das Sombras. Segundo as lendas dos escravos, existe uma fonte no interior da montanha cuja água pode curar qualquer enfermidade. Uma ironia estranha, um ponto de luz nas trevas fugidias, um local sagrado rodeado por quilômetros e quilômetros de profanação sombria. Ela decidiu que valia a pena arriscas em uma perigosa jornada até lá. Mas sua condição inapta era um grande problema para a viagem. Consegui uma carroça na cidade de Yun para poder carregá-la e demorei mais alguns dias para montar uma cobertura de lona para o veículo, impedindo que qualquer bisbilhoteiro soubesse de vista que eu carregava uma humana sem corrente. Combinamos que no caso de uma exposição inesperada, ela seria uma escrava que eu acabara de comprar.

O verdadeiro nome do X
é Arinev Lagast

Conjurei dois cavalos usando minha própria energia para servirem de tração para a carroça. Andamos pela costa oeste para evitar o Deserto de Sarrac; quanto mais longe ficássemos do Forte Asnüminë melhor. Nunca me esqueço da última vez que coloquei os pés naquele lugar e nunca me esquecerei. Foi por isso que a traí, foi por isso que eles morreram.

Nós seguíamos tranquilamente pelas estradas, procurando atrair o mínimo de atração possível. Procurei nem manter contato com a garota na carroça coberta, falávamos pouco e sempre através da cortina. Mas quem dera eu tivesse bisbilhotado minha nova companheira de viagens. Pois quando o problema veio, logo depois de passarmos despercebidos por Namurië, foi ela que piorou a situação. Uma escolta passou por nós, e um guarda tolo insistiu em inspecionar a carroça. Já estava treinando mentalmente a história de escrava recém comprada quando vi a expressão na face do guarda. Saren estava completamente coberta com sua armadura negra e humanos preparados para a guerra não são nada bem vistos em Tenebra, na verdade são eliminados imediatamente. Agi primeiro e cortei a garganta do guarda que permanecera no chão. Saren puxou o outro para dentro da carroça e, quando fui verificar, ela o havia desarmado e imobilizado com três algemas. O jovem meio-sombra debatia-se brutalmente mas não conseguia uma folga sequer em sua prisão.

Quando eu perguntei por que ela não havia matado o soldado, já que tinha em mãos sua própria arma, ela disse que era contra matar pessoas indefesas e preferia levar à justiça à "matança", como ela mesmo disse. Questionei-a se ela sabia o que aquele sujeito poderia fazer se conseguisse por algum motivo fugir de nosso controle. Ela não respondeu, coisa típica de mulheres humanas segundo o que ouvi dizer: quando elas não têm argumento, entram um estado de silêncio acusador; isso até poderia funcionar contra humanos, mas não contra mim. Quando puxei o homem para fora da carroça, ela tentou me impedir, mas suas pernas não ajudaram. Enterrei ambos com magia.

Depois de várias semanas de viagem, chegamos finalmente aos pés do Monte das Sombras. Ali havia uma cidade fantasma. Estar de novo naquele lugar me dava arrepios. Felizmente eu descumpri minhas ordens e os espíritos que assombravam aquele lugar nada tinham contra mim ou à garota das pernas ruins. Onde existia antes um refúgio para os poucos escravos que conseguiam fugir à captura, agora só havia sombras e poeira. O vilarejo não tinha nome e era habitado principalmente por humanos livres e seus descendentes. Era um local ermo, mas quando Asnüminë descobriu de sua existência, mandou imediatamente seu servo mais leal para destruí-la. Mas aqueles tempos passaram há muito.

A carroça de mais nada servia para escalar a montanha então a abandonamos sob uma ruína grande, que antes poderia ter sido um celeiro. Tive que carregá-la em minhas costas pela maior parte do caminho, já que ela não era capaz de mover-se eficazmente ou sequer rapidamente. Encontramos uma caverna talvez na segunda ou terceira centena de metros acima, não sei ao certo, aquele monte é místico e poderíamos facilmente ter passado uma hora ou mil anos escalando-o. A caverna era tortuosa, mas suficiente segura para andar carregando a garota e sem correr o risco de cortar os pés.

Fomos atacados por um bando de mortos-vivos poderosos. Quando traí minha deusa, perdi grande parte de meus poderes e enfrentar aqueles Vultos seria um grande desafio com os poderes que me sobraram. Me considero poderoso para um desgarrado, mas preciso usar minha própria energia (e não de minha deusa) para alterar misticamente a realidade. E por algum motivo sórdido, os monstros atacavam Saren assim que a avistavam. Fiquei admirado com sua capacidade com a espada. Ela era muito mais forte do que parecia e muito bem treinada também. Depois de derrotados os inimigos, finalmente chegamos à lendária fonte. Mas uma terrível surpresa nos aguardava.

A Garota Amaldiçoada pela Senhora das Sombras
Asnüminë havia enviado sua própria imagem física para nos confrontar. Segundo as palavras da própria deusa, Saren Illíthiel era uma Grande Imortal, capaz de grandes feitos e coisas do tipo. Desde que deixei de cultuá-la finalmente abri os olhos para a futilidade dos deuses. Todos não passam de criaturas superpoderosas e com o orgulho ainda maior do que suas habilidades. A Senhora das Sombras é a pior de todas em minha opinião. Eu torci para que tudo que ela falava fosse verdade para que Saren pudesse mesmo enfrentá-la e destruí-la. Mas não entendi como uma garota humana aleijada poderia fazer isso.

Então resolvi agir. Enquanto Asnüminë estava preocupada com seu monólogo, consegui teleportar a garota para a fonte e jogá-la lá. Foi a primeira vez que fui notado pela deusa. Devo admitir que a raiva que ela sentiu por seu antigo servo ajudar sua nova inimiga me causou um prazer enorme. Sabia que aquela era a hora de minha morte. Nenhum sangue sujo me salvaria naquele momento. Mas eu estava enganado.

Não foi o sangue sujo que me salvou. Em um instante, Saren estava novamente em pé e à minha frente. Mal consegui ver seus movimentos. E seus olhos… de seus olhos azuis nenhuma cor sobressaía além do branco. E como brilhavam. Ela parecia realmente um anjo, ou o mais próximo disso que eu já vi. A Senhora das Sombras lançou sua escuridão, mas Saren impediu a energia negra com as mãos. Mais duas vezes Asnüminë atacou e mais duas vezes a garota Imortal a impediu. Então toda a montanha tremeu, e a maldição foi lançada:

VOCÊ ACHA QUE JÁ VENCEU, NÃO É, GAROTA INSIGNIFICANTE!? MAS NUNCA MAIS SAIRÁ DOS MEUS DOMÍNIOS! ENQUANTO EXISTIR ESCURIDÃO E A NOITE FOR ETERNA, NUNCA PODERÁ ATRAVESSAR OS OCEANOS OU ATRAVESSAR AS LINHAS DO ESPAÇO! ASSIM EU DIGO E QUE ASSIM SEJA!

E novamente estávamos a sós. Saren desmaiou imediatamente, mas eu finalmente havia percebido. Finalmente eu poderia fazer a diferença, com sua ajuda. Eu me rebelei uma vez contra a entidade, mas agora me rebelaria contra o reino todo e tudo que aquelas sombras malditas algum dia significaram. Eu me ergueria. E sabia que Saren Illíthiel estaria ao meu lado enquanto seu destino lhe prendesse ali. Juntos nos levantaríamos e lutaríamos. Juntos, faríamos uma história para ser lembrada por milênios. Juntos, enfrentaríamos novamente Asnüminë e seus servos. E, mesmo que em alguns anos ou milhares de séculos, algum dia a Senhora das Sombras arrependeria-se de lançar aquela maldição.

[Aventura7] A Vida é uma Canção

Dizem que a vida é uma canção. Começa devagar e vai aumentando o ritmo conforme os anos passam. Para chegar a um clímax e terminar novamente devagar, cedendo ao tempo e ao destino finalmente. Mas também diziam que a lua era uma pedra morta rodando em volta do mundo. Se a vida de Ryon Talmer fosse uma canção, seria uma das mais agitadas e diferenciadas: cheia de alegros, prestos e vivaces, alternando-os quase o tempo todo.

Quando o bardo voltou para seu mundo sua vida mudou completamente. Sua magia tinha sumido, Saren era apenas história e até a lâmina mágica Falante estava muda. Ele envelheceu e quase se esqueceu. Mas algo ainda o tocava, pois sua vida foi estendida muito mais do que a de qualquer humano normal. E então ele chegou.

O anjo do destino, o mesmo ser que o envolveram na epopéia de Saren Illíthiel voltara novamente. Primeiro em seus sonhos, quase o levando a crer que a loucura o dominara. E finalmente em pessoa. Ele bateu a sua porta, como um homem comum, mas logo Ryon percebera que era ele. Depois de tomarem um lento e desagradável chá, o homem o convidou para atravessar a porta de sua casa. Mas não era a porta de sua casa.

A porta o levou para uma ilha rochosa no meio de um mar sem fim. Ryon Talmer viu-se jovem novamente. Mas a sabedoria da idade não o abandonara. Ele estava novamente em Faralchar.

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